Donald J. Trump foi eleito Presidente dos Estados Unidos da América. E a esquerda brasileira logo começou a reclamar que uma onda de reacionarismo ronda o mundo. Mas pouco sabem esses pensadores e críticos iluminados que seu ideal é muito mais próximo de Trump do que eles pensam. Principalmente no âmbito econômico.

Proteção de indústrias nacionais contra a concorrência estrangeira?
Combate à terceirização?
Combate à expansão de acordos de livre comércio?
Oposição a uma reforma previdenciária mais tendente à privatização?
Rechaço à influência da globalização?
Aumentar impostos a produtos importados com barreiras comerciais?

Todas essas propostas poderiam ser do plano de governo apresentado por Trump durante sua campanha. Mas, na verdade, tratam-se das principais medidas econômicas tomadas pelo governo Dilma.

A eleição de Trump deu origem a um dos mais curiosos fenômenos em terras brasileiras: quem sempre abominou o livre mercado, agora, está revoltado com o projeto econômico protecionista e desenvolvimentista que o republicano propõe. E, há poucos meses, esse mesmo projeto econômico era elogiado, defendido e enaltecido pelos defensores de Dilma Rousseff. Ainda que possa estar “mais à direita conservadora” em questões sociais (aborto, legalização das drogas), em questões econômicas, Trump tem os mesmos planos que a esquerda brasileira.



Atualmente, mais de 90% dos economistas compreendem que políticas protecionistas contra a concorrência do mercado internacional não se trata de uma boa decisão para o futuro e a riqueza de um país. Afinal, com a abertura comercial, é possível, primeiramente, fazer migrar capitais e estoques de riqueza para aumentar a produtividade de um país pobre e que não teria desenvolvido tecnologia suficiente por conta própria. Mas, além disso, o maior fluxo comercial entre países permite um maior intercâmbio de produtos e serviços, fator essencial para o barateamento de mercadorias e consequente aumento real do poder de compra do povo.

Portanto, o termo “protecionismo” deve ser entendido não como uma medida de proteção ao país ou aos trabalhadores do país, mas sim como o estabelecimento de um monopólio que favorece os empresários que não mais deverão enfrentar a concorrência estrangeira. Sem concorrência de mercados globais, tem-se praticamente a garantia para o empresariado nacional de uma margem de lucro maior. E é justamente esse conjunto de medidas que economistas mais à esquerda, como Belluzzo e Bresser, defendem: um desenvolvimento econômico guiado pelo Estado e voltado para a “indústria nacional”.

No fundo, a esquerda brasileira e Donald Trump propõem as mesmas coisas para fazer crescer a economia. Intervencionismo, dirigismo estatal e protecionismo. Fosse o republicano chamado “Dilmo”, todos estariam fazendo “textões” no Facebook com a maior alegria.

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