Já faz tempo que a situação política no Brasil vai mal, mas depois do vazamento da delação de Joesley Batista, dono da JBS, parece que não há mais esperança alguma. Agora, todos sabemos que Temer dava (ou será que ainda dá) mesada para que Cunha ficasse calado na prisão. Além disso, de forma inédita, vemos a mídia falar sobre casos de corrupção que envolvem Aécio Neves, o corrupto mais blindado do Brasil. 

Muito mais do que as novas descobertas sobre a corrupção no País, é importante pensar sobre a tal da “polarização” política no Brasil. De que vale tudo isso? No fundo PT, PSDB, PMDB e todos os outros só estavam interessados em extorquir grandes empresas para encherem seus bolsos. O mesmo Joesley que negociava com Temer e Aécio trocava figurinhas (e verdinhas) com Guido Mantega, ministro da fazenda de Lula e de Dilma. 

Tudo isso só mostra que esse Fla x Flu nas ruas, nas famílias, nos ambientes de trabalho é só uma distração para que o povo não pense em tudo que está por trás. Prova, também, que a ideia de que o PT e o Lula são o grande problema do Brasil é indignação seletiva. Tanto PSDB quanto PT decidiram se alinhar com o PMDB – e o resto da história nós já sabemos (ou descobrimos um pouco mais a cada dia). 

Estão certos os que perguntam “cadê a panela agora?”, porque não ouvimos pelas janelas ninguém protestando agora que nosso presidente foi desmascarado. As pessoas queriam um bode expiatório, acharam o PT e seguirão com essa ideia até o fim. Isso é uma tremenda besteira: não é como se o Partido dos Trabalhadores fosse santo ou melhor do que PSDB e PMDB. Todos esses querem o mesmo, o lucro, a influência, a vida boa às custas do povo brasileiro. Ficar brigando por eles, defendendo-os, não faz sentido algum. 

Quem foi iludido com “a culpa não é minha, eu votei no Aécio” é, agora, assumidamente, massa de manobra. Tirar Dilma foi só uma desculpa para que a velha política tivesse mais lugares no poder – não é como se a ex-presidente não tivesse participação em nada. Mesmo sendo melhor que muitos, ela sabia de tudo e nada fez para impedir. Ainda assim, derrubá-la da forma como aconteceu só prova o quanto a combinação de mídia + políticos conservadores faz com que o povo caia como bobo em armadilhas. 

Imaginamos agora o que há de ocorrer: as reformas devem parar. A câmara e o senado devem parar tudo para discutir a situação de Temer. Assim como foi com Dilma, que queria as mesmas reformas, mas foi impedida por sua impopularidade dentro das casas. Será que o presidente há de provar de seu próprio veneno? Parece que o “Fora, Temer”, está mais perto do que nunca. Mas, mais importante que isso é a pergunta: o que será da política brasileira? 

Longe de ser santo, Lula agora tem um bom motivo para abafar a história do triplex – e já passou da hora de arrumarem um motivo melhor para acusá-lo. Sobre Doria, o político do momento que é do partido presidido por Aécio, resta questionar se fará vídeo no Facebook para comentar o assunto. Parece que ninguém se salva nesse cenário. 

Não há diferença entre os grandes políticos. Lula, Temer, Aécio Neves, todos usaram o Brasil para encherem seus bolsos e fazer o que bem entendiam. Só há uma conclusão possível nisso tudo: nenhum dos poderosos queria Dilma no poder – o “lugar deles”. 

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