“Acredito que o melhor programa social é um emprego”

Ronald Reagan, 40° Presidente dos Estados Unidos da América

 

Crianças ou jovens, a maioria de nós já foi indagado com a seguinte pergunta: “Em que você pretende trabalhar quando crescer? ”. Bom! Essa não é uma pergunta de fácil resolução quando vemos as condições de trabalho e educação do Brasil.  Sabemos que há uma relação intrínseca entre o período educacional em todos os níveis e o mercado de trabalho, mas muitos pais e alunos, quando crianças e jovens, não sabem, e serão prejudicados quando chegar o momento de exercer alguma atividade devido a sua má formação acadêmica. Com esse desiderato, faremos uma análise setorial da educação em termos políticos e econômicos.

 A Constituição Federal é um norte orientador e nos diz em seu artigo 215: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. “ Assim, abordaremos o porquê de não existir essa educação e o pleno emprego.  

 

Uma breve retrospectiva do problema: o marxismo

 

Os acontecimentos que ocorrem atualmente na política brasileira é um retrato muito semelhante ao qual havia na década de 60. A população, insatisfeita com o governo de João Goulart, pedia a intervenção dos militares, que tiveram a autorização do Congresso Nacional para depô-lo e permanecerem no poder durante seis meses para reestabelecer a ordem, e, posteriormente, realizar eleições diretas, mas o que não ocorreu e os mesmos permaneceram durante vinte e um anos. Nesse momento, a esquerda com ideias gramscianas, começa a fazer a revolução cultural. Antônio Gramsci que, aliás, é um gênio, já tinha percebido que o marxismo-leninista não obterá êxito devido aos valores como o cristianismo, éticos e morais manterem a unidade da sociedade, os quais ele chamou de “Hegemonia”. Tanto Stalin quanto Lênin fizeram a revolução primeiro no âmbito da política e economia e não no da cultura, não entendendo que esta é pressuposto daquelas. Para esses marxistas ortodoxos os revolucionários seria a classe trabalhadora – pura besteira -, pois a classe trabalhadora já se acostumou com os benefícios do capitalismo. Gramsci notou isso e viu que os novos agentes revolucionários seriam os intelectuais, os quais denominou de “intelectuais orgânicos” ou “intelectuais coletivos” que combateriam a “hegemonia” e fariam com que as pessoas pensassem de uma maneira semelhante e romperiam a unidade antiga para trazer uma nova ordem. O Italiano marxista denominou que, quem comandaria toda essa engenharia social, seria o partido comunista; basta ver que o Brasil quase não possui um partido de direita, através da “Guerra de posição” ou “ Guerra de Movimento” ocupando todos os espaços da vida pública e privada.

Há muitos céticos que dizem ser teoria da conspiração, mas basta ver os sujeitos que têm grande destaque na mídia, são, predominantemente, intelectuais e políticos com pensamentos e tendências “esquerditas”. Cito Paulo Freire como um desses agentes e sendo considerado o patrono da educação brasileira. O Brasil não melhorou em nada com a pedagogia do oprimido em quesito da alfabetização das pessoas.

 

Vejamos os dados

                                                     Segundo o instituto Paulo Montenegro o analfabetismo funcional,

                                                                                                            Tabela  

                                                         Distribuição da população por nível de alfabetismo funcional

                               

                                 Nivel                                                %                                      N°respondentes
                                   

                            Analfabeto                                           4                                                   88

                           Rudimentar                                          23                                               457

                            Elementar                                            42                                                843

                        Intermediário                                           23                                              453

                         Proeficiente                                               8                                                161

                               Total                                                   100                                             2002

           Anafabetos e Rudimentar:                                27                                                  545

              analfabetos funcionais  

   Elementar, Intermediário e Proficiente:                  73                                               1457

       alfabetizados funcionalmente

 

 

Definição de Proeficiente :

Elabora textos de maior complexidade (mensagem, descrição, exposição ou argumentação) com base em elementos de um contexto dado e opina sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto. Interpreta tabelas e gráficos envolvendo mais de duas variáveis, compreendendo elementos que caracterizam certos modos de representação de informação quantitativa (escolha do intervalo, escala, sistema de medidas ou padrões de comparação) reconhecendo efeitos de sentido (ênfases, distorções, tendências, projeções). Resolve situações-problema relativos a tarefas de contextos diversos, que envolvem diversas etapas de planejamento, controle e elaboração, que exigem retomada de resultados parciais e o uso de inferências

 

Analisando a tabela notamos que apenas 8% são proeficientes. Isso é inconcebível pra um pais que quer se desenvolver em qualquer área do conhecimento.

 

FONTE

INSTITUTO PAULO MONTENEGRO (São Paulo). Indicador de Alfabetismo Funcional – INAF: Estudo especial sobre alfabetismo e mundo do trabalho. 2016. Disponível  em:<http://www.ipm.org.br/…/…/inaf/relatoriosinafbrasil/Relatrio Inaf Brasil 20112012/INAFEstudosEspeciais_2016_Letramento_e_Mundo_do_Trabalho.pdf>. Acesso: 09.abr.2017.

 

 

Segue uma outra matéria

Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Movimento Todos Pela Educação revela que apenas 7,3% dos alunos brasileiros do 3º ano do ensino médio têm aprendizado adequado em matemática. Em língua portuguesa, o índice é de 27,5%.

Segundo a pesquisa, que levou em consideração dados da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2015, em matemática o índice é ainda menor do que o observado em 2013, quando 9,3% dos estudantes tinham rendimento recomendado para a etapa. No caso de língua portuguesa, o percentual foi um pouco maior que os 27,2% registrados em 2013, mas, de acordo com os pesquisadores, essa diferença não é relevante estatisticamente, o que significa que o ensino dessa disciplina ficou estagnado no período.

A pesquisa evidencia também um duradouro retrocesso nesse segmento escolar nos últimos 18 anos. Em 1997, quando começa a série histórica analisada pelo Todos Pela Educação, a taxa de alunos com aprendizado adequado em matemática no 3º ano era de 17,9%. Ano após ano, a qualidade do ensino foi caindo até chegar ao índice de 2015 (7,3%).

Em língua portuguesa, embora os números sejam maiores, a queda de qualidade também é nítida. Em 1997, 39,7% dos alunos tinha o nível de aprendizado recomendado para o 3º ano do ensino médio. Desde então, houve um retrocesso de mais de 12 pontos percentuais até 2015.

O desempenho das regiões do país separadamente também não é bom. Em Matemática, todas as áreas apresentaram queda no índice de alunos com aprendizagem adequada. A região com maior índice é a Sudeste (9,3%), seguida por Sul (9%), Centro-oeste (7,7%), Nordeste (4,7%) e Norte (3,5%).

Na parte de Língua Portuguesa é possível observar alguns avanços. As regiões Nordeste e Norte conseguiram impulsionar significativamente o aprendizado. A primeira passou de 18,6%, em 2013, para 20,4%, em 2015, já a região Norte passou de 16,2%, em 2013, para 20,6%, em 2015. Mas, ainda assim, são as regiões com piores taxas. Em primeiro aparece Sul (32,9%), depois Sudeste (32,2%), Centro-Oeste (30,9%). ”

FONTE

http://www.gazetaonline.com.br/noticias/brasil/2017/01/pesquisa-aponta-retrocesso-no-aprendizado-do-ensino-medio-brasileiro-1014015387.html

 

O problema dessas pessoas, como Paulo Freire e demais charlatões como Alysson Mascaro, professor da faculdade de direito do largo do São Francisco, é que o indivíduo é oprimido pela sociedade e por isso tende a buscar a sua “emancipação humana”. Tudo é “ideologia burguesa” a serviço da classe dominante, como se os mesmos não fossem burgueses.

Karl Marx diz que a ideologia de classe é algo implícito na cultura que invade e deforma a realidade e só o proletariado, com a sua ideologia, enxergará a realidade de uma forma objetiva. O próprio Marx era um burguês que conhecia o proletariado de longe, como ele fez isso não sabemos, pois, o próprio Marx não explica, nem o Mascaro, nem o Freire, nem eu.

Trago um trecho do livro Introdução ao Estudo do Direito do senhor Mascaro, vejamos: “O poder do capital impede uma leitura desbragadamente contrária aos seus interesses, não porque o jurista não saiba fazê-lo, nem muitas vezes porque lhe falte vontade, mas sim, porque estruturalmente a sociedade capitalista impõe uma lógica de reprodução que só dá margem a uma certa interpretação das coisas. O jurista reproduz automaticamente esse aparato ideológico”. Para o professor, os fatos são vistos sempre por uma lógica materialista e economicista

Essa tradição de quadrúpedes ideólogos marxistas diz que: quem age é a “classe”, o indivíduo não é o sujeito da História e por isto não é nem mesmo, em última instância, o autor de seus atos.

É ainda mais assustador ver a Constituição Federal nos dizer um conceito tão esdrúxulo de cultura corroborando implicitamente nessa visão, segundo o artigo 216 significa: “os bens de natureza material e imaterial portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”. Vê-se que cultura é qualquer coisa que dê testemunho da vida brasileira, mesmo não havendo valor algum, ou seja, valores como o verdadeiro; belo; útil; santo e dentre outros que possuem características de preferibilidade; hierarquia; possibilidade de ordenação; incomensurabilidade não tem importância, porque a importância cultural não reside nas obras, porém, na sua “referência” à vida nacional. A análise da cultura somente é do ponto de vista antropológico, pois esta não atribui valorações, são apenas julgamentos descritivos e comparativos, ela observa os fatos, organizando-os em estruturas, isto é, são muitas contradições  

Diante disso, propomos duas breves soluções para a educação brasileira

1)    Criações de lideranças intelectuais aptas a preencherem os cargos que são oferecidos nos sistemas público e privado. Essa é a principal forma de o Brasil sair da barbárie para a civilização. Pois os que pensam que faram alguma mudança substancial se elegendo políticos estão muito enganados, há de ter lideranças intelectuais que os influencie no plano concreto de decisões, isto é, fazer uma contrarrevolução cultural com outras ideias. Cito por exemplo o caso da Rússia em que a maioria das decisões tomadas por Vladimir Putin são sob orientações de seu mentor e professor da Faculdade de Moscou Alexander Dugin;

2)    Criação de uma educação que eliminasse o analfabetismo funcional e habilitasse a força de trabalho e, ao mesmo tempo, as qualificasse para atividades especializadas.

 

Liberalismo e crise moral

Pessoas que se dizem “liberais” têm muita culpa pelo o que ocorre no mercado de trabalho. Pensam que a liberdade individual e econômica não está ligada a nenhuma outra ordem, não entendem que a liberdade não é um princípio, mas uma norma pragmática de aplicação limitada que está intrinsecamente subordinada e coordenada a uma ordem ética e moral.

Há alguns dias houve o debate entre o pré-candidato à Presidência da República, Bolsonaro, e Marco Antônio Villa, pela jovem pan. Durante a discussão a fala deste último chamou atenção em que ele exorta: “Honestidade e moral são muito secundário pra quem quer se candidatar à presidência. “; imediatamente lembrei de uma citação do economista norte americano Thomas Sowell: “O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos, não é exclusivamente reflexo da classe política, é também um reflexo do eleitorado. Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfazê-las”. A falta de ordem moral sobre a ordem econômica deixando o mercado se regular por conta própria faz com que o mercado seja corrompido por ele mesmo. A lição a ser extraída é que o mercado é regido por seres livres e seres livres devem ser responsáveis. O filósofo Roger Scruton deixa bem claro ao dizer: “Toda Transação no mercado leva tempo, e no período entre o início e a conclusão, só a confiança, e não o direito de propriedade, mantém as coisas no devido lugar. Nenhuma ordem econômica funciona sem o apoio de uma ordem moral”

O Capitalismo surgiu das relações de trabalho e das trocas voluntárias de mercadorias entre as pessoas, não há nada de ideológico e imoral nele como pregam os socialistas. Se esse Homem-Massa, como chamou Ortega, não quer se sujeitar a moral alguma ou viver em um imoralismo, não é culpa do capitalismo e caso se apresente como um revolucionário ou antiliberal, será para poder afirmar que a salvação da pátria, do Estado, do direito a alhear todas as normas legais e morais e massacrar o próximo, sobretudo se o próximo possui uma personalidade valiosa. Como Ortega diz: “O homem-massa carece simplesmente de moral, que é sempre por essência, sentimento de submissão a algo, consciência de serviço e obrigação”.

O socialista vê o Estado como uma autoridade paternal, um guardião de todos que educa como um pai e ensina os valores para a sociedade civil, – uma pura besteira -, é a sociedade que ensina para as instituições todos os valores, isto é, o processo é de baixo para cima e não o contrário.

O mercado de trabalho

É bom deixar bem claro que o capitalismo nunca aumentou a desigualdade social no Brasil, até por que o capitalismo nunca existiu aqui. Princípios como o da livre concorrência e o da livre inciativa, positivados na Constituição Federal, são mais para deleites teoréticos academicistas no Brasil.

Devido à baixa expectativa de retorno de lucros nos investimos do microempresário e do empresário de pequeno porte no Brasil, principalmente e dentre muitos outros fatores como a legislação trabalhista, a taxa básica de juros (Selic) enorme, um governo intervencionista, corrupção e etc., passamos pela maior recessão de nossa história, um PIB com expectativa de crescimento que não chega a 1% e uma população economicamente inativa que beira os 14 milhões de desempregados.

O maior responsável por isso é o Estado. Analisemos como se relacionam o IDH e o grau de liberdade econômica de um pais.      

 

Colocação dos melhores colocados nos rankings de IDH e de liberdade econômica

 

País                                                                                              IDH 2015                                                                                              ILE(1) 2015
                                                                         Ranking                 Nota               GDH(2)                                            Ranking                Nota                  GLE(3)
Noruega                                                                   1º            0,949           Muito Alto                                               27º                    71,82           Predominantemente Livre

Austrália                                                                  2º            0,939           Muito Alto                                               4º                       81,39                        Livre

Suíça                                                                         2º            0,939           Muito Alto                                               5º                       80,51                        Livre

Alemanha                                                                4º            0,926            Muito Alto                                              11º                      73,78         Predominantemente Livre

Singapura                                                                5º             0,925           Muito Alto                                               2º                       89,35                         Livre

Dinamarca                                                               5º             0,925            Muito Alto                                            16º                      76,26            Predominantemente Livre

Hong Kong                                                              12º            0,917           Muito Alto                                              1º                       89,55                           Livre

Nova Zelândia                                                         13º            0,915           Muito Alto                                              3º                      82,07                            Livre
 

·         ILE: Índice de Liberdade Econômica

·         GDH: Grau de Desenvolvimento Humano

·         GLE: Grau de Liberdade Econômica.

 

FONTE: HERITAGE/PNUD

 

 

Resultado IDH por área

País                              Renda –                                     Saúde                                         Educação                                                                         Educação                                                                 Ranking final

                        Per capita (Ranking)       Expectativa de vida (Ranking)     Tempo médio de escolaridade dos adultos (anos)  Expectativa de escolaridade para crianças (anos)

Noruega                      6º                                                 17º                                                      12,7                                                                                  17,7                                                                                1º

Austrália                     21º                                                 8º                                                       13,2                                                                                 20,4                                                                              2º

Suíça                             9º                                                  5º                                                       13,4                                                                                16,0                                                                               2º

Alemanha                    17º                                                22º                                                       13,2                                                                               17,1                                                                                4º

Singapura                      2º                                                4º                                                        11,6                                                                                15,4                                                                               5º

Dinamarca                     18º                                             30º                                                      12,7                                                                                19,2                                                                               5º

Hong Kong                     10º                                              1º                                                         11,6                                                                               15,7                                                                             12º

Nova Zelândia                33º                                            14º                                                        12,5                                                                               19,2                                                                             13º

 

FONTE: HERITAGE/PNUD

 

 

   

 

De acordo com os quadros  apresentados fica claro que, quanto mais liberdade econômica possua um pais, melhor tende a ser o seu IDH. A matemática não tem erro e os fatos comprovam que para um pais ser rico o Estado deve se intrometer o mínimo possível.

Portanto, aqueles que desejam prosperar devem se libertar de quaisquer amarras ideológicas e passar a fazer escolhas, defender ideias e apoiar medidas que promovam a liberalização econômica de seus países.

A reforma trabalhista já é um começo, mas mais que isso, crianças e  jovens devem possuir uma educação qualificada, crítica, transformadora e criativa.

                    Em 2015, o Brasil ficou em 79º lugar no Ranking do IDH e em 118º no de liberdade econômica, considerado um país “Pouco Livre”, média de anos na escola 7,8 anos, expectativa de vida 74,7 anos, renda per capita 1,226 reais, mas 20 estados estão abaixo, mas 20 estados estão abaixo dessas médias.

 

  

 

 

 

 

      

       

 

 

 

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