Todo ano, episódios revivem o debate sobre a violência no futebol. Nesse último domingo uma briga entre torcedores do Palmeiras e Flamengo, no Mané Garrincha manchou uma das festas mais bonitas dos últimos anos de Futebol Moderno.

O jogo teve recorde de público do Brasileirão, com 53 mil torcedores. Nas arquibancadas inúmeras camisas rubro-negras e verdes se misturavam, dando espaço até a torcedores do São Paulo, Bahia e Atlético MG. Homens, mulheres e crianças pouco acostumadas com futebol na capital do país se encheram de alegria para ver dois grandes times.

Até o momento em que os torcedores, em locais opostos, porém não separados, resolveram se enfrentar nos corredores do estádio. A polícia interveio com spray de pimenta, que foi sentido pelos torcedores e até pelos jogadores antes do início do segundo tempo.

Fernando Prass, goleiro do Palmeiras atingido pelo spray, foi brilhante ao ser questionado sobre o caso. Foi logo dizendo que o problema não está no estádio e sim na sociedade e citou os casos da garota do Rio de Janeiro e da criança de 10 anos morta pela polícia em São Paulo.

Em confrontos de torcedores como esse que surgem medidas reprimindo as organizadas e prejudicando a festa da arquibancada. Foram tais ações que em São Paulo: retiraram bandeiras dos estádios, proibiram sinalizadores de fumaça, determinaram torcida visitante de 10%, determinaram esse ano torcida única nos clássicos. Mas, isso adiantou?

Segundo dados do O Globo, a violência no futebol teve um crescimento alarmante nos últimos 10 anos. Além das medidas terem sido ineficientes, a festa do futebol foi extremamente prejudicada. As mortes e brigas ainda ocorrem, na maioria das vezes fora do estádio.

Minha opinião é simples: O Brasil ainda é um país com crise de violência e impunidade. No futebol a impunidade é ainda maior. O criminoso comum deixa de ser um anônimo e passa a ser um “corintiano”, “flamenguista” ou qualquer outro torcedor. Ao ser classificado como torcedor, o sujeito ganha certa imunidade. Exemplos disso são os torcedores do Corinthians presos em Oruro que sempre se envolvem em novas confusões, anos após o episódio na Bolívia e torcedores palmeirenses dessa confusão em Brasília, que 2 dias depois já estão soltos.

A polícia não prende os torcedores criminosos, mas a punição arquitetada fica para toda a torcida. Tais medidas visam, aos poucos, extinguir as torcidas organizadas dos estádios.

Não podemos perder o que o futebol tem de melhor. É o esporte do povo, do pertencimento. As organizadas têm um papel social e político muito importante na sociedade. Precisamos punir os verdadeiros delinquentes e deixar os verdadeiros torcedores fazer a festa do estádio, com direito a estádio dividido, bandeiras, sinalizadores e cantos de apoio ao time.

Como já disse, Brasil não é Europa e enquanto não valorizarmos o que temos de melhor, será sempre um 7×1 diferente.

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