Verdade seja dita, ser americano e ter que votar no próximo dia 8 de novembro não deve estar sendo uma tarefa fácil. De um lado um candidato com zero experiência política e que é capaz de falar os mais diversos absurdos até mesmo para as pessoas que não se identificam com o politicamente correto como eu e de outro uma candidata de situação que já demonstrou diversas vezes fazer parte de uma elite política que o americano comum já está cansado de ter que lidar.

Entre Trump, Hillary e as bizarrices de ambos, encontram-se a mídia e os principais institutos de pesquisa fazendo a balança pender para o lado escolhido. E para a chamada “mainstream media” americana esse lado é o de Hillary Clinton.

É notório que a grande maioria dos principais meios de comunicação americanos entrou de cabeça na campanha presidencial. Por lá não é incomum que os jornalistas e as próprias empresas declarem seu voto e acabem por fazer campanha ao vivo durante seus programas. De um lado tal postura torna os meios de comunicação americanos menos hipócritas que os brasileiros que oficialmente são “obrigados” a permanecer em cima do muro mesmo quando são claras suas preferencias políticas. Por outro lado, tal atitude acaba por desbalancear o nível de cobertura dos candidatos, fazendo os votos pender de tal maneira para um dos candidatos que deixaria qualquer acusador da mídia golpista brasileira boquiaberto.

A atenção dada às falas de Trump é surreal. Não que as bobagens que o candidato republicano diz devam ser ignoradas, muito pelo contrário. Mas a forma como tem sido tratadas por jornais e comentaristas políticos tem deixado muitos programas de fofoca e diversidades com inveja ao redor do mundo. Na outra mão, os escândalos envolvendo o vazamento de e-mails e as suspeitas de que alguns haviam sido escondidos dos investigadores vinham sendo literalmente ignorados nos principais jornais, exceção feita talvez à Fox News, que já há algumas semanas vinha dando destaque a estes fatos, voltaremos a falar disso mais adiante.

Talvez o caso mais emblemático de favorecimento da mídia à campanha de Hillary Clinton tenha se dado com as revelações pelo WikiLeaks de que uma das comentadoras do canal CNN, Donna Brazile providenciou perguntas que foram efetuadas durante o debate primário para o chefe de campanha de Clinton. A CNN foi obrigada a cortar laços com Donna. Mas mesmo sem saber deste fato, para os que viram o último debate presidencial realizado pelo canal pôde verificar a incrível parcialidade dos mediadores em favor de Hillary.



Outro ponto que tem chamado a atenção no caso das eleições americanas são as pesquisas de intenções de votos. Rush Limbaugh, notório comentarista político conservador nos EUA levantou interessantes dados a este respeito uma semana atrás, quando a derrota de Donald Trump parecia algo tão certo quanto 1 + 1 são 2. A eleição estava liquidada, para chegarmos a estas conclusões bastaria verificar as principais pesquisas. Será?

Naquele momento pesquisa realizada pela ABC News / Washington Post davam um placar de 50% para Clinton contra 38% para Trump, outros meios de comunicação tradicionalmente liberais (entenda-se o termo liberal como o utilizado no espectro político americano, ou seja, o Partido Democrata e a esquerda) continuavam dando uma distancia confortável para a candidata Democrata, era o que podia-se ver na CNN, New York Times, etc.

Limbaugh entretanto nos trouxe novas pesquisas, pesquisas que não tem chegado no Brasil e no restante do mundo. Para a Rasmussent Reports, Trump estaria na frente por 43% x 41%, para o Los Angeles Times o candidato anti-herói também estaria vencendo por uma pequena margem 44,4% contra 43,8% de Clinton, Investor’s Business Daily demonstrou um resultado igual, 41% x 41%, na última pesquisa citada pelo comentarista, a Reuters dava vitória para Hillary por 44,2% à 39,5%, uma vitória mais realista aparentemente do que as que estavam sendo veiculadas mundo afora.

Uma semana após estes fatos sobre as pesquisas serem levantados, o conforto parece ter abandonado a campanha democrata. Com a noticia de que o FBI irá reabrir a investigação a respeito do vazamento de e-mails confidenciais da candidata democrata, Trump parece estar virando o jogo na Flórida e agora lidera as intenções de voto por 48% à 44%. O realismo parece estar voltando para as pesquisas e para os noticiários, incluindo o New York Times, um dos meios de comunicação que mais fervorosamente tem atacado o candidato Republicano e defendido o voto em Clinton.

No Brasil a turma do politicamente correto parece que também já escolheu um lado. Votar em Trump é uma imoralidade, assim como um brasileiro defende-lo.

A campanha americana tornou-se um espetáculo midiático que transformou tudo em uma batalha moral, deixando de lado temas mais relevantes para o eleitor americano. Em uma escala menor, é o mesmo que ocorreu no segundo turno das eleições do Rio de Janeiro. O voto não é mais racional e pautado em propostas, vota-se em um ou outro candidato analisando-se os valores pessoais destes e tanto de um lado quanto de outro prevalece a ignorância.

Assim como quase 50% dos cariocas optaram por ter suas consciências limpas e não votar em ninguém, suspeito que a maioria dos americanos lavarão as mãos no dia das eleições e preferirão assistir ao reality show dos aterrorizantes candidatos em suas casas, na praia ou em algum bar.

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