É fato sabido que as mídias sociais vêm transformando o mundo em todos os aspectos, desde econômicos até políticos, graças ao seu poder disseminador de idéias e opiniões que alcançam milhares de pessoas ao redor do mundo. A grande questão é como será a transmissão da informação no futuro, uma vez que em cerca de duas décadas quase tudo que temos em nossa volta foi transformado pelas redes sociais e as novas formas de informação. Nesse texto, tentarei abordar dois temas diferentes, primeiro como a transmissão de informação vem se alterando nos últimos tempos e depois, abordar como as redes sociais vêm impactando a sociedade, das formais mais diversas possíveis.

Os tradicionais meios de comunicação do Brasil estão tendo que se adaptar ao novo modo de interação e conexão entre aqueles que geram a informação e aqueles que recebem. Os jornais estão com vendas cada vez menores e a liquidez ou instantaneidade da internet fazem com que a televisão tenha se tornado menos atrativa para os consumidores de informação. Uma possibilidade dessa mudança são os assuntos tratados hoje que até então eram tabus para a sociedade, como meio ambiente, sexualidade, drogas entre outros; temas que acabavam sendo um tanto quanto negligenciados por serem mais polêmicos acabaram caindo nas graças de um conteúdo mais descentralizado como a internet. Muito provavelmente essa guinada digital da informação impactará a sociedade de maneira similar a escrita impressa criada por Gutemberg, de forma a descentralizar conhecimento, poder e a informação, democratizando o acesso ao conteúdo.

 

Agora, como essa nova forma de transmissão de informação impacta a sociedade? Sob o ponto de vista político e cidadão ela faz com que absolutamente tudo, sob todos os pontos de vistas e ideologias esteja acessível a qualquer indivíduo que esteja conectado na rede. Sendo assim, não há nada que não haja uma resposta ou explicação inversa, fortalecendo assim o debate e mostrando como deve ser uma sociedade democrática no acesso a informação. Além disso, como vimos na primavera árabe ou nas manifestações brasileiras pelo impeachment da, agora, ex-presidenta Dilma Roussef, as mídias sociais tem papel fundamental em facilitar não só a mobilização de pessoas através do agrupamento em eventos, mas também de incentivar todas as outras a exercerem seu papel de cidadão e lutarem pelas suas convicções. Com certeza, sem esse modelo, as manifestações teriam muito mais dificuldade em serem organizadas, além de provavelmente serem pouco divulgadas. Ainda em relação a política, hoje é praticamente impossível que alguma notícia relevante de nossos governantes não se espalhe pela sociedade, mesmo que tal fato não seja trazido à tona pela mídia tradicional. Podemos perceber isso pela proliferação de blogueiros com um forte viés ideológico, tanto para esquerda, como revista fórum, diário do centro do mundo, opera mundi, como também para a direita, spotniks, mídia sem máscara etc.

Esse novo tipo de transmissão, marcado por uma opinião mais forte traz a tona dois aspectos: um positivo, pois faz com que a população em geral acabe se posicionando mais diante a temas, gerando um maior debate na sociedade, algo que durante muito tempo pareceu estar aquém do que deveria ser, visto os grandes escândalos que se sucederam ao longo de nossa história sem a devida repudia e revolta da sociedade; e outro negativo, pois o debate acabou se polarizando ao ponto de qualquer opinião que não esteja alinhada com a sua ideologia é por definição errada e dificilmente uma pessoa com tal pensamento consegue absorver algo que não vem do seu círculo ideológico. Tal fato vem prejudicando muito o debate no país, pois de um lado temos uma esquerda anacrônica e atrasada que acha que a matemática e o raciocínio lógico não são compatíveis com os anseios da sociedade. De outro, temos uma direita preconceituoso que acha que todas as pautas de minorias são apenas uma agenda ideológica da esquerda, quando na verdade são questão de direitos humanos. Esse trade-off deve ser tratado com bastante cuidado se queremos ter uma sociedade mais democrática e desenvolvida, tendo as mídias criadas a partir da internet um fator fundamental.

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