O gigante acordou!
O gigante acordou de um grande período de coma sócio-político onde a população brasileira, sempre à margem dos acontecimentos desde o Brasil colônia, passaram a protestar na rua querendo reivindicar o fim da corrupção, dos partidos políticos, de canais de mídia, “contra tudo isso que tá aí” durante um protesto do movimento organizado a favor do passe livre de transporte público, revelando grande confusão e ignorância por parte dos seus manifestantes que pegaram carona.

O gigante acordou de ressaca e falou um monte de besteiras. Mas acordou, melhor que continuar dormindo eternamente em berço esplêndido…

 Foi inocência achar que depois dos protestos de 2013 a população iria se interessar por política de modo a abandonar a cultura da vantagem, senso comum, de louvar a meritocracia da malandragem e estudariam mais sobre política, como funciona, história recente do Brasil e visitar os portais da transparência online, ao menos ter um senso crítico na leitura, mas tudo debalde. A grande massa, que envolve desde as classes mais baixas até a classe-média alta estavam envoltas em medo, desesperança, ódio e ignorância contra seus governantes eleitos e buscando soluções agressivas e passionais para um assunto racional: a política.

 Aristóteles não perdeu seu limitado tempo de vida escrevendo livros sobre política para desperdiçarmos em brigas movidas por paixões sobre ideias sem base racional, ética ou acadêmica. Não é a toa que os antagonismos políticos no Brasil acabam em bate-boca (não confundir com discussões) de um lado odioso contra o outro, que espera a aniquilação dos discordantes. O melhor tema para categorizar esses histéricos é o eleitorcedorismo.

 Foi lendo POLÍTICA de Aristóteles que conheci o verdadeiro conceito de Polis, cidadania, sistemas políticos, origens, correções de conceitos, porque nascem ditaduras e guerras após milênios dessa obra que só foi usada parcialmente na maioria dos países ocidentais para formarem suas democracias mas favorecerendo plutocracias mal-intencionadas. Percebi também que a política é feita por todos os habitantes ricos, pobres, concordantes, discordantes, leis e seus guardiães mas principalmente, trocar a lança pelo diálogo. Sendo assim, todo “conflito político” que não for um debate ou discussão se torna apolítico pois resulta em violência, obstáculo ao diálogo.

 Para incentivar a harmonia entre discordantes é necessário criar passos e processos de aceitação dos diferentes, que existem pessoas com corpos diferentes, criações diferentes que, pasmem, pensam diferente! A convivência pacífica entre discordantes sempre existiu, principalmente no Brasil onde existem praticamente todas as etnias e credos convivendo, se misturando e gerando os mestiços mais improváveis mas é na hora da “discussão de condomínio” que os ânimos se exaltam pois não fomos ensinados a tolerar, ainda somos reféns da cultura sacro-fascista da ditadura que ensinou nossos pais que os não heteronormativos são “inimigos da família”, “inimigos de deus” e que lutar pelo povo é “coisa de vagabundo”.

  Desconstruindo o senso comum anti-político pragmatizado para a população por gerações, devemos avançar para outro ponto óbvio: senso crítico sobre as informações midiáticas. É mais simples do que se imagina. Temos acesso à vários meios de comunicação atualmente, desde jornais impressos, rádio, TV e internet com seus mais variados formatos de comunicação e ser passivo a respeito das afirmações parciais feitas pelos mais variados conglomerados da informação é a sabotagem da política. Saber como funciona o óbvio sobre a obtenção de informação e propagação da mesma e a quais interesses servem é o primeiro passo. Quantos políticos foram eleitos e depostos por influência midiática sobre o analfabético político?

 Por fim, o derradeiro passo é o mais tribal possível: diálogo entre os discordantes objetivando a melhor solução, para que todos os cidadãos sejam inclusos nas decisões e respeitem tais regras para que seja possível confiar no co-cidadão, no vizinho, nas autoridades, que o que foi acordado será cumprido e respeitado, mesmo em detrimento dos apetites pessoais. Resumindo, a Ética é a mãe das necessidades sociais e para ser realmente efetiva é necessário empatia na aceitação do outro depois senso crítico para não ser manipulado pelos interesses escusos dos poderosos que conseguiram implantar esta avacalhação da sociedade em conflito interno de convivência, esses que estão se beneficiando com repetidas crises econômicas arquitetadas e são sustentados pelas classes trabalhadoras, os anti-éticos.      

 Esta proposta de diálogo progressista e inteligente não é nenhuma novidade, já foi implantado nos países de maior IDH do mundo e se os vikings conseguiram tornar países gélidos em exemplos possíveis de igualdade social, nós malandros conseguiremos também, basta tentar.

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