Um homem trabalhador. Que venceu na vida, vindo de baixo. Foi assim que João Doria, mesmo sem ter nenhuma familiaridade com a periferia de São Paulo, conquistou os extremos da capital, antes considerados como um cinturão do PT.

O relógio marcava por volta das 8h30, quando eu peguei um ônibus na estação Artur Alvim, uma antes de Itaquera, na zona leste, com sentido à Vila Jacuí, onde voto. Motorista e cobrador haviam decidido seu voto: Doria.

– O rapaz é trabalhador mesmo. É um exemplo. Vai mostrar pra nossa molecada como é que se faz – dizia o motorista.

– É – complementava o cobrador.

– PT não dá mais. Haddad não dá mais. A gente precisa de homens do povo, que sejam referências para o povo. Que, como o povo, batalhou e conquistou.

– É.

No ônibus, havia, além de mim, uma senhora no último banco e um homem na cadeira da frente. Enquanto escutava o diálogo, via pelas ruas Terra Brasileira e Coração Noturno vários e vários adesivos de João Doria. Em casas, carros, motos e camisetas.

É verdade que, com 100% das urnas apuradas, a somatório de votos nulos, brancos e pessoas que não compareceram às eleições foi maior do que o número de votos em João – assim como aconteceu com Dilma, em 2014.

Mas a confiança depositada em João é muito perigosa. A quebrada está esperançosa. E, infelizmente, de acordo com o plano de governo do novo prefeito de São Paulo, Racionais vai tocar mais e mais alto nos extremos: “Eu sei, você sabe o que é frustração. Máquina de fazer vilão”.

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