Animais Noturnos não é um filme comum. Mais do que o sucesso com a crítica ou o elenco estrelado, foi o trailer, onde se nota a carga emocional e a ambição artística empregadas pelo diretor Tom Ford, que me motivou a enfrentar a fila do longa mais disputado da 40ª mostra internacional de cinema.

Animais Noturnos não é simples ou de fácil compreensão. No filme, além de todo o conteúdo dramático do trailer, o que se destaca é a história poderosa, capaz de evocar os mais diferentes sentimentos (muitas vezes contraditórios) no telespectador. Certamente para cada pessoa ele significará algo diferente. Para alguns será um filme de vingança e para outros de superação, para alguns fala sobre o amor e para outros sobre a raiva.

O longa retrata a vida de Susan (Amy Adams), uma negociante de arte que apesar do luxo que desfruta ao lado do marido rico, não está feliz. Ela se sente sozinha e descontente com o rumo que as coisas tomaram em sua vida. Certo dia, ela recebe em casa um manuscrito do próximo livro do seu ex-marido, que ela não via havia quase 15 anos, o qual está acompanhado de uma carta que diz que o conteúdo foi dedicado a ela. A partir daí, três estórias passam a ser contadas: a do presente infeliz de Susan, a do livro e a das memórias do passado da protagonista com Edward (Jake Gylenhaal), o ex-marido.

Animais Noturnos é um filme sério. E como um filme sério, não trata o telespectador como idiota. As estórias se intercalam de maneira sutíl e os únicos indícios que temos de qual estamos acompanhando é o trabalho impecável de maquiagem, que deixa a dúvida se Amy Adams tem na verdade 20 e poucos ou 40 e poucos anos, e o tratamento dado à imagem em cada uma delas. As cenas do presente tem tons frios e passam um ar de melancolia, as cenas em que ela está lendo o livro são quentes e as lembranças do seu passado ficam num meio termo. Além disso, as três estórias se relacionam de maneira as vezes clara e as vezes sútil.[SPOILER] O exemplo mais interessante que me lembro é quando Susan está caminhando pela galeria de arte que administra e cruza com uma obra onde se le a palavra “vingança”, tema fundamental das próximas cenas do livro.

Animais Noturnos é único. Ao final do longa, fiquei com uma sensação semelhante àquela de quando assisti ao Cisne Negro. São dois filmes que surgem de tempos em tempos e que miram a perfeição sem serem pretensiosos demais como aqueles de Lars Von Trier.

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