Até os anos 60, diversos estados dos EUA eram abertamente racista. Determinavam espaços separados para brancos e negros frequentarem e negavam à população negra o direito do voto. Martin Luther King e Malcom X se tornaram ícones dessas décadas por serem os maiores representantes da luta do movimento negro por uma sociedade mais justa e por terem sido mortos prematuramente fruto, ou não, dessa luta. Hoje em dia o racismo contra negros continua existindo tanto nos EUA quanto no Brasil mas é condenado pelo estado e pela sociedade em geral. Pouquíssimas pessoas se atrevem a sair por aí demonstrando o seu racismo.

O movimento feminista não é novo. Ao longo do século 20 as mulheres adquiriram diversos direitos como o direito ao voto e ao trabalho. Mas é inegável que o machismo ainda é aceito e estimulado pela sociedade. E assim como o racismo se tornou uma pauta amplamente debatida pela sociedade ao longo do século 20, o machismo passou a ser uma pauta amplamente discutida pela sociedade nesse começo do século 21 e, embora existam outras discussões rondando o tema como palavras x intenção e locais públicos x locais privados, é muito provável que em pouco tempo a sociedade passará a condenar manifestações machistas em locais públicos como as redes sociais. O mesmo se aplica a homofobia.

É dessa forma que a sociedade evolui: por pautas. Em certo momento, grupos sociais conseguem que as suas pautas sejam discutidas pela sociedade como um todo e a partir daí, ganham o respaldo de pelo menos parte da população para tentar impor as suas ideologias. Seria muito estranho e pouco aceito pela sociedade se eu passasse a entrar no instagram de pessoas que postam fotos de comida e começasse a ofender elas por não serem vegetarianas. Menos aceito ainda seria tentar justificar, em alguma rede social, os crimes cometidos por um psicopata por achar que ele tem uma doença que o condena a não ter empatia pelos seus semelhantes. No entanto, esses temas invariavelmente se tornarão pautas no futuro e ganharão o respaldo de parte da população.

Já ouvi argumentos de que aqueles que tentam impor ideologias progressistas são hipócritas por não olharem para os seus próprios erros. Não compartilho desse pensamento porque sei que as pessoas não são perfeitas. Malcom X não era perfeito e mesmo assim defendia o combate ao racismo através da violência. Não podemos exigir que as pessoas cheguem a perfeição para que as suas lutas se tornem legítimas. O que sim devemos exigir é que, através das diferentes pautas, continuemos evoluindo à caminho de uma sociedade mais justa.

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