Muito provavelmente o fato mais impactante de 2016 foi, e será, o Brexit. A decisão de saída da Grã-Bretanha do maior bloco econômico do mundo, coloca alguns pontos de interrogação sobre o futuro da união e sobre a rota que está sendo tomada pela humanidade.

Não é uma decisão simples, a União Europeia trouxe diversos benefícios para os países envolvidos. Como tudo na vida, também trouxe tambémalguns pontos negativos, e obviamente melhor para uns e pior para outros. Dentre as consequências do bloco, é fácil ressaltar: moeda única, livre migração, livre empregos, aumento da balança comercial, turismo, subsídios agrícolas, quebra de monopólios, medidas de sustentabilidade e PAZ.

Protegidos pelo mar, a Grã-Bretanha, especialmente a Inglaterra, nunca se jogou de cabeça na festa europeia. Todos mantiveram a moeda própria (exceto por Irlanda), mas também se esbanjaram nos benefícios do bloco.

A decisão tomada pelos votos dos mais velhos e mais conservadores do país foi embasada em uma série de eventos que fortaleceram o conservadorismo. Os principais são a crise econômica em países da EU (Grécia, Portugal, Espanha) e a primavera árabe. As consequências são distintas, e é difícil prever qual fez mais diferença na cabeça dos votantes.

A situação é um pouco contraditória. A UE é restrita para um grupo de pessoas, o Brexit acontece no momento que a ilha sente que a exclusividade da proposta está sendo perdida. Ao mesmo tempo, quem defende a união desses países (e por isso critica o Brexit) apoia a exclusão de todos que não fazem parte.

É nesse ponto que vive o problema, os países desenvolvidos mantiveram uma distância segura dos movimentos radicais islâmicos. Hoje a consequência bate na porta, e a saída mais rápida se baseia em ultraconservadorismo. A possível vitória de Donald Trump nos EUA e a movimentos nacionalistas europeias são exemplo disso.

Nem tudo está perdido, a eterna rixa entre Escócia e Inglaterra pode fazer o primeiro (56% contra o Brexit) preferir ficar de mãos dados com a UE e não com a GB. Porém, do outro lado países como França e Itália podem ficar motivadas e arquitetar suas saídas.

A Europa unida é um primeiro passo para um mundo unido, com menos fronteiras. A experiência sem dúvida tem sido positiva. A dificuldade é dar o segundo passo e incluir locais distintos em cultura, economia e formação. Acho que a sinalização do Brexit é positiva ao dizer que os problemas alguma hora batem à sua porta, e não se deve passar a mão na cabeça deles, afinal somos todos um bloco só.

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