Um líder ultranacionalista apoia a emancipação nacional com a justificativa de que imigrantes, pessoas que não são nascidas naqueles país ou cujos país não são, roubaram o espaço dos “verdadeiros cidadãos”. Assim começou a ideia de o Reino Unido deixar a União Europeia, assim começou o governo de Hitler na Alemanha em 1933.

A decisão do plebiscito que aconteceu na última quinta-feira, 23, mostra o quanto o mundo não tem memória e não consegue relacionar os fatos do passado com as situações que se vive atualmente. A ideia de deixar o bloco econômico não quer dizer que, a partir de agora, o Reino Unido não quer que entrem mais imigrantes no país, quer dizer que eles querem acabar com a presença de quem, um dia, veio de fora.

As consequências da falta de recordações são muito maiores do que Game of Thrones poder acabar ou a Premier League. O ódio tende a crescer. O ingleses deram o ponta pé inicial para acabar com a vergonha da extrema direita de expor seus pensamentos racistas e preconceituosos.

O resultado do Brexit não quer dizer que 52% do Reino Unido seja ultranacionalista, mas quer dizer que os disseminadores dessa ideologia saber como movimentar massas usando o medo, o terror de perderem seus empregos, seu espaço de protagonismo em uma sociedade que, em suas cabeças, os pertence.

Pode parecer extremo comparar a saída do Reino Unido ao Holocausto, mas é inevitável. Para quem conhece a história recente do mundo, quem já estudou a fundo a Segunda Guerra Mundial consegue facilmente reconhecer as semelhanças, a dificuldade do cenário econômico, a ascensão de uma ideologia extremista e que exalta o “sangue puro”.

Há quem argumente que não há mortes. Por enquanto, é verdade, mas na Alemanha de 1933 ainda não havia. Os nazistas demoraram sete anos para encontrar a “solução final para a questão judaica”. Além do mais, quem já ouviu um sobrevivente do Holocausto contar suas memórias sabe da dificuldade que eles tinham em ser aceitos em outros países quando fugiam do regime nazista – situação similar aos refugiados sírios, o grande “mal” que o Reino Unido e a extrema direita europeia querem evitar.

Talvez o país que decidiu sair da União Europeia não seja um problema em si, mas as portas que ele abriu, sim. É a oportunidade perfeita para o nacionalismo ser exaltado em outros países. Os sinais de uma Europa xenófoba já apareciam há algum tempo, mas, agora, quando os refugiados mais precisam, o preconceito só tende a crescer. O sinal dado pelo Brexit é esse: quando mais se precisa de humanidade e solidariedade, o mundo vira as costas, porque nosso próprio umbigo é o mais importante.

Nada fala melhor sobre esse momento do que a frase que está escrita na entrada de um dos pavilhões de Auschwitz, o campo de concentração nazista mais conhecido da Polônia: “Um povo que não conhece sua história corre o risco de vivê-la de novo”.

11
4

Escrever artigo sobre este tema

O The Global P. é uma plataforma aberta de debate. Os textos nele postados não refletem a opinião do site. Você tem uma opinião diferente da desse autor? Escreva o seu próprio artigo! Clique aqui e saiba mais.