Fidel Castro, ex-ditador cubano, morreu aos 90 anos no dia 25 de novembro de 2016, em Havana, capital de Cuba e vitrine turística para quem se dispõe a conhecer o socialismo na prática. Mas, ao contrário do que os grandes veículos midiáticos brasileiros dizem, Fidel não era um simples líder ou um presidente: era um tirano. Fidel Castro escravizou o povo cubano, matou e perseguiu opositores políticos, negros e homossexuais. Por isso, para além das nefastas homenagens prestadas por políticos de todos os países, é preciso conhecer a verdadeira história detrás do genocida e de seu projeto socialista de poder.

 

Quem foi Fidel Castro?

Fidel Alejandro Castro Ruz nasceu em uma rica família de fazendeiros cubanos. Quando estava na Universidade de Havana, cursando Direito, conheceu o pensamento “anti-imperialista” proposto pela esquerda e, logo, insurgiu-se contra a ditadura de Fulgêncio Bastista, aliado dos Estados Unidos. Com o fracasso dos rebeldes, Fidel foi preso e, quando solto, viajou para o México, junto de seu irmão, Raúl Castro, e de Che Guevara. Lá, profissionalizou-se como um guerrilheiro revolucionário socialista, o que lhe permitiu retornar a Cuba, combater as tropas de Batista e assumir o poder.

Fidel Castro transformou, então, Cuba em uma ditadura socialista sob o comando único e exclusivo do Partido Comunista. As indústrias e os negócios foram nacionalizados, e o Estado cubano passou a administrar a economia nacional, totalmente planificada e engessada sob os cuidados de Che Guevara, Presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria. A liberdade de expressão foi totalmente aniquilada da ilha, e a imprensa cubana passou a ser dirigida pelo próprio governo.

Mas, apesar de ser reconhecido como líder, o que pouco interessa a muitos jornalistas divulgar é a verdade sobre a figura de Fidel. Em 2005, a revista Forbes, responsável por elaborar a lista de pessoas mais ricas do mundo, incluiu Fidel Castro neste seleto grupo de pessoas com uma fortuna acumulada de US$ 550 milhões. Entretanto, enquanto o ditador pôde desfrutar do luxo e da riqueza, o povo cubano continuou submisso e escravizado pelo Estado cubano, devendo repartir com Fidel todo e qualquer ganho privado. A exploração econômica do turismo e da venda de moedas estrangeiras é um monopólio da família Castro. Resta a dúvida: como pode ser visto como exemplo de líder um homem que subjuga seu próprio povo à escravidão enquanto ganha US$ 30 milhões por mês passeando por suas 30 mansões espalhadas pela ilha?

Mas, além de um espoliador do povo, Fidel Castro também era racista, homofóbico e machista (adjetivos que, curiosamente, as esquerdas insistem em lhe poupar). Carlos Moore, historiador refugiado no Brasil e autor da obra “O marxismo e a questão racial”, conta que Fidel perseguia negros e praticantes de religiões africanas. Com a ascensão dos revolucionários socialistas ao poder, o Candomblé foi imediatamente banido de Cuba, enquanto Pais de Santo eram enviados para campos de concentração e fuzilados por não abandonarem sua religião. Mas, além disso, Fidel perseguiu também indivíduos homossexuais, enviando membros da comunidade LGBT* para campos de concentração e trabalhos forçados para sua “reeducação sexual”, já que a homossexualidade era vista pelo governo como “um desvio causado pelas libertinagens que o capitalismo possibilitava”. Naturalmente, a uma pessoa tão preconceituosa quanto Fidel Castro, não faltariam declarações machistas, como quando ele disse que “estavam na cozinha, preparando o almoço” na ocasião em que foi perguntado o porquê de não haver mulheres na delegação cubana na Conferência da Organização Mundial do Comércio.

 

E os saldos da revolução?

Como em toda e qualquer revolução socialista, o governo que a sucedeu foi uma ditadura que colocou o país nas mãos de um Estado policial. E os cidadãos que não conseguiram fugir em botes rumo a Miami foram brutalmente assassinados por falar contra o regime castrista.

De acordo com um levantamento de 2004 feito pelo economista Armando M. Lago, Presidente da Câmara Ibero-Americana de Comércio e Consultor  do Standard Research Institute, foram mortas mais de 115 mil pessoas. Em sua obra “Livro Negro da Revolução Cubana”, o autor calcula números assustadores (não incluindo os dados referentes a mortes por atividades subversivas no exterior):

+ Fuzilados: 5.621.
+ Assassinados extrajudicialmente: 1.163.
+ Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081.
+ Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258.
+ Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14.160.
+ Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país: 77.824.
+ Civis mortos em ataques químicos em Mavinga, Angola: 5.000.
+ Guerrilheiros da Unita mortos em combate contra tropas cubanas: 9.380.

= Total de mortos: 115.127.

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Como está Cuba hoje?

Com a morte de Fidel e os inúmeros relatos existentes sobre a ditadura dos Irmãos Castro, muitos dos defensores do regime socialista cubano assumiram, de fato, que a revolução socialista de 1959 e sua consequente ditadura mataram muitas pessoas, mas, por outro lado, o povo cubano teve diversos avanços sociais. Mas, mesmo não entrando no mérito da relativização da vida humana que fazem essas pessoas, esses “avanços sociais” são bastante contestáveis.

Dentre todas as necessidades do ser humano, não há dúvida que a alimentação é sua prioridade máxima. Antes mesmo da educação, da saúde e do consumo, sem comida não há sobrevivência possível. Por isso, é bastante questionável afirmar que Cuba teve avanços sociais enquanto a alimentação do povo cubano apenas piorou. Além de se alimentar em quantidades definidas pelo racionamento alimentar imposto pelo governo, o próprio caráter calórico da alimentação cubana foi afetado.

De acordo com uma pesquisa de Kirby Smith e Hugo Llorens, o consumo médio de calorias per capita diminuir entre 1949 e 1996 em Cuba. Em 1949, um cubano ingeria, em média, 2.730 calorias por dia. Já em 1996, esse consumo foi reduzido para 2.357 calorias. Para efeitos de comparação, é importante saber que a Cuba de 1949 era o terceiro país com maior consumo calórico per capita da América Latina comparando com indicadores de outros países, que só disponibilizaram dados em 1954 a 1957. Ou seja, Cuba colocava-se entre os primeiros países mesmo com uma defasagem de uma década na medida.

Entretanto, até 1996, o consumo calórico de Cuba retrocedeu. A Colômbia, por exemplo, consumia 2.050 calorias diárias em 1957, enquanto, em 1996, esse número pulou para 2.800. O Chile avançou de 2.330 calorias para 2.810 calorias. O Brasil passou de 2.540 calorias diárias em 1957 para 2.938 calorias em 1996. E, dentre os 11 países que a pesquisa analisa, Cuba saiu do terceiro lugar em 1957 para o último lugar em 1996. Em termos absolutos, o consumo de tubérculos e raízes em geral caiu de 91 kg/ ano para 63 kg/ ano desde a década de 1940 até 1998, de acordo com os dados da ONU (UNFAO 1998). O consumo de carne caiu de 33 kg/ ano para 23 kg/ano. Os cubanos passaram a se alimentar cada vez pior.

Em termos educacionais, parece que há um consenso de que o governo cubano oferece uma das melhores condições para estudantes. Mas a verdade não é bem assim. Em primeiro lugar, vale ressaltar que Cuba não participa de exames internacionais como o PISA. Dentre o ranking das 500 melhores universidades do mundo, não há uma que seja cubana. Cuba não tem prêmios Nobel, medalhas Fields ou Copley. Todas as informações que se tem do sistema educacional cubano são fornecidas pela própria ditadura cubana e sem nenhuma auditoria externa. Existem, contudo, modelos empíricos que estimam uma boa qualidade na educação cubana, mas vale notar: admitindo que somente esses estudos estejam certos (e desprezando todas as outras evidências), para quê serve a educação das escolas cubanas?

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Em Cuba, não há liberdade profissional. Por melhor que seja o aluno, sua futura profissão não será decidida por ele, mas sim pelo Estado. Não importa se o aluno é bom em exatas ou biológicas, pois será mediante intervenções do governo que seu emprego será definido. Além disso, vale notar que inúmeros livros são proibidos, como “A riqueza das Nações”, de Adam Smith. Não há liberdade para que se conteste uma tese apresentada pelo governo: o sistema educacional cubano serve ao governo.

Avaliando o lazer e o consumo “supérfluo”, os índices cubanos também são assustadores. Em 1958, o Brasil tinha 7 carros a cada 1 mil habitantes, enquanto Cuba tinha 24. Trinta anos depois, em 1988, o Brasil passou a ter 73 carros a cada 1 mil habitantes, e Cuba, 23. Dentre uma amostra com 19 países latino-americanos, Cuba foi o único país que teve uma redução de sua frota em proporção à sua população.

Havana, Cuba - A group of Cubans work in the streets to repaint a classic American car. Classic American cars are seen throughout Cuba, a throwback to the days before the embargo. Before the Cuban revolution, there was a strong US presence on the island - both culturally and commercially. After the revolution, trade ceased and the influx of cars stopped. With a limited supply of new cars due to embargoes and limited buying power due to the economic situation under communism, Cubans have held onto the vintage automobiles by necessity for many decades. As a result, Cuba is in the unique position that pre-1959 cars are the standard, rather than an exception, although this is changing. These cars are generally referred to as yank tanks or maquinas and often used as taxis.

Até mesmo no esporte o governo cubano não dá liberdade a seus atletas. Conforme relatou a jogadora de vôlei Ana Paula, da seleção do Brasil, foram inúmeras as vezes que levaram as cubanas para comprar pasta de dente, sabonete, shampoo, aspirina, e elas ainda tinham que esconder tudo para entrar em Cuba. Segundo ela, “ler que atletas gostavam de Fidel é balela. As cubanas nos contavam que tinham que falar bem dele, não havia escolha. Temiam por suas famílias”. Fidel ficava com 100% das premiações recebidas pelas delegações cubanas.

Quem lamenta a morte de Fidel?

Comemorar a morte de um ser humano é algo realmente complicado, ainda que totalmente compreensível. Não se pode julgar e menosprezar, por exemplo, os refugiados que vivem em Miami fugidos de Fidel Castro e, hoje, podem gritar de alívio por verem um tirano assassino morto.

Os únicos que, apesar de tudo, lamentam e choram a morte de Fidel Castro são os socialistas cegos pela ideologia, os hipócritas que nunca se depararam com o racionamento de comida, os estudantes que nunca estudaram e os revendedores da Adidas na ilha.

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