A gestão Haddad teve muitos acertos notáveis, o mais perceptível deles foi a volta da relação do paulistano com sua cidade. São Paulo deixou de ser apenas um plano de fundo para as viagens cotidianas de seus moradores, ela se tornou parte do cotidiano deles. Isso é claramente visto nos carnavais de rua durante o seu governo, os maiores das últimas décadas como apontado pela polícia federal, e pelo domingo que se tornou um dia de culto à cidade, tanto pelas ciclovias como pelas ruas fechadas.

Todavia, nem tudo é um mar de rosas, o mandato teve a sua principal deficiência na saúde. As filas, tanto de exames como de procedimento médico aumentaram muito. É necessário colocar uma parcela dessa culpa na crise em si, que fez muitos abandonarem o plano de saúde e irem para o SUS. Mas não podemos culpar apenas eles, a admnistração também foi precária.

Frente à isso, o novo prefeito criou uma ideia, um tanto quanto popular, para solucionar esse problema: o Corujão.
Essa inciativa municipal se trata da realização de exames das pessoas na fila de espera do SUS em hospitais ou laboratórios particulares em horários de menor movimento nestes recintos. A principio a ideia soa até messiânica, a comunidade carente realizando exames no sírio libanês, HCor, entre outros que antes só serviam à elite. Entretanto necessita-se de uma análise mais profunda para entender suas funções e utilidades para a populção à curto e longo prazo.

A proposta mais correta para o êxito deste programa seria: com a parceria destes hospitais você vai acabando com a fila de exames, ganhando assim um tempo para entender o motivo inicial deste caos no setor e assim consertá-lo. Portanto o Corujão seria algo temporário até que se conseguisse resolver o problema do SUS por completo e nunca mais precisasse de uma medida dessas. No entanto, o prefeito nunca discursou sobre esse investimento a médio-longo prazo que deve ser paralelo ao Corujão. Ele se prendeu apenas à jogada marketeira: ” Vamos acabar com a fila que o PT deixou”. O que preocupa um pouco e gera questionamentos sobre tal medida.

Dada a solução, falemos dos problemas. O primeiro deles é a falta de comunicação da prefeitura com dos beneficiados pelo programa. Muitos não aceitam a ideia de andar a cidade toda de madrugada, perdendo uma noite de sono em um dia de trabalho para realizar um exame que não faz há dez meses. Por essa lógica, se esperou dez, qual o problema de esperar mais um mês e não perder um dia de trabalho? Por isso é necessário uma informação fornecida da prefeitura para essa população carente, explicando que sim, esse um mês a mais que se pensa em esperar pode ser fatal. O exame tem que ser feito de imediato. Mais vale uma noite perdida, do que uma vida mais curta, ou enferma. Não se vê essa propaganda educadora por parte da prefeitura, o que se vê é a prefeitura dando a entender que esses contrários à realização dos exames na madrugada são contra a melhoria deles mesmos, o que não é verdade, tal como foi mostrado aqui.

 O segundo problema se instala na possibilidade do Corujão se tornar algo constante. Ao invés de transformarmos os hospitais públicos em hospitais como o sírio libanês, só usarmos de hospitais desse tipo e sucatearmos de vez o SUS. Essa é a pior hipótese de todas, apenas se aumenta os lucros dos hospitais privados e se transfere os investimentos nos públicos para os já completos da rede privada.

Dada essa conjuntura, temos dois horizontes a deslumbrar, praticamente uma utopia e uma distopia quanto ao tão falado Corujão da saúde. João não completou nem 20 dias de governo, portanto não é possível falar por enquanto para qual fim estamos nos direcionando, mas mesmo neste começo são necessárias algumas mudanças na questão do diálogo da prefeitura e população sobre o programa. Portanto, só resta a nós paulistanos torcer pelo melhor, e caso ele não esteja acontecendo, lutar ao máximo para que ele ocorra.

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