ATENÇÃO: PREFIRA LER O ARTIGO APÓS ASSISTIR AO FILME. A CRÍTICA PODE CONTER SPOILERS OU INDUZIR O LEITOR.

Existem duas “prévias” que podem levantar um filme ou fritá-lo de vez. Uma é o nome. Em geral, os nomes dos filmes rebatizados no Brasil, têm uma tendência ao ridículo. Seja desvirtuando o sentido das intenções dos criadores do filme ou simplesmente gerando algo estapafúrdio. A segunda é o trailer. Existe uma indústria no cinema, paralela, que consiste na criação e produção de trailers. Composta por especialistas, é responsável por fazer um “mini filme” do filme, capaz de, em poucos minutos, com cenas, sons e locução especiais, induzir o espectador ao desejo de ver o filme. Hoje em dia, até takes são produzidos especialmente para os trailers. Em resumo, o nome, o trailer e o filme vão muito além daquilo que nossos olhos podem ver e nossos ouvidos escutar. Os sinais são oferecidos. Cabe a nós refletir e praticar as elaborações intelectuais para realizar as decodificações necessárias para um melhor entendi mento dos filmes.

No caso do filme em cartaz “Remember”, no Brasil “Memórias Secretas”, as duas prévias citadas acima anteciparam alguns sinais de que as coisas não teriam um final feliz.

No trailer, a história foi entregue de bandeja. Começo, meio e fim, tudo tão óbvio… Saudosismo, sentimentalismo, suspense, e ação. Aí entra a percepção do primeiro sinal (“signo” conforme Roland Barthes): um trailer de Hollywood NUNCA entregaria de bandeja a história. Portanto… Era óbvio que a história teria um final “surpreendente”. Com aspas tamanho gigante. Surprendente para espectadores da Sessão da Tarde.

O nome, a outra “prévia”, no Brasil ( não escrevo “em português” pois não acredito que façam em portugal algo tão bestial) entregaram definitivamente o ouro. MEMÓRIAS SECRETAS fodeu com o filme. Nem é preciso entrar no tema dos “sinais”. Para quê “secretas” heim, heim??? Uma vez que são “secretas” são algo a mais do que somente memórias ou REMEMBER como bolaram o pessoal “de lá”.

Vamos ao filme. Se este filme fosse de Stephen King poderia der detalhes maravilhosos, sacadas temporais e atemporais brilhantes. Mas, não é obra de Stephen King. Alguém tentou fazer algo com o vigor de Stephen King mas saiu algo fraquinho que mais ficará como uma homenagem aos inesquecíveis Cristopher Plummer e Martin Landau. Eles mereciam mais que isto.

Voltando aos “sinais”, o filme tenta nos ajudar “entregando” um monte de dicas. Aí vão tres: O velho desmemorado (só assim para ele ir à missão), a pistola Glock (arma dos soldados que o bom velhinho manejava tão bem) e finalmente, a rápida antecipação do final quando o bom velhinho, para obter a confissão do nazista, ameaça a… menininha netinha(!). Coisa de nazista!!! O filme poderia ter acabado ali!

Além dos sinais, verdadeiras bobeiras infantis metidas a boas sacadas. Segue relaçãozinha básica:

cachorro que fica latindo sem parar na casa de um suspeito era um? Pastor Alemão.

mulher do bom velhinho que morreu. Nome? Eva. (Alguma referencia à Eva Braun???)

no ônibus, ao viajar para suas missōes, o bom velhinho contempla? Velhas composiçōes de antigos trens. Marrons… De carga…

casa de um dos suspeitos próxima à uma pedreira. Sonoplastia enquanto o bom velhinho travava o embate na casa do colecionador: sirene e bomba, sirene e bomba, sirene e bomba.

Enfim, nāo é um filme ruim. Depende muito da expectativa de quem vai ao cinema. Só acho que muita gente, mesmo com todo o esforço dos roteiristas e produtores de REMEMBER, se levanta do assento sem interpretar os sinais oferecidos gratuitamente. E respira indiferente. Dizendo, “eu sabia!”.

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