Nos últimos anos, alguns filmes de super heróis me surpreenderam por trazer uma abordagem nova para esse tipo de filme. Entre eles estão Batman Beggins, Watchmen e Sin city. 

O primeiro Batman de Christopher Nolan soube expressar a personalidade sombria que o personagem sempre apresentou nos quadrinhos mas que nunca foi bem representada nos cinemas (Não dá para levar a sério o Batman com mamilos de George Clooney). Nolan mostrou que filme de super herói pode sim ser coisa de gente grande.

Watchmen e Sin city são um caso a parte. Os próprios quadrinhos já traziam uma proposta totalmente nova e os diretores apenas trataram de transmitir suas histórias com maestria para a linguagem do cinema. Ambos os filmes trazem uma estética noir que, ao ser mesclada com o tema de super heróis, os elevam a categoria de filmes de heróis que não serão esquecidos. 

Mas porque comento sobre esses filmes em uma crítica sobre o Capitão América: Guerra civil? Justamente porque é o que acredito que falta nesse novo filme da Marvel: Profundidade e novidade.

Capitão América: Guerra civil segue a fórmula pronta de como fazer um filme de super heróis que gera muitos milhões em receita mas que se perde na quantidade exagerada de filmes que são feitos sobre os personagens da marvel. Essa fórmula criada pela própria Disney/Marvel prioriza a quantidade ao invés da qualidade. Quanto mais heróis na tela, melhor. Quanto mais tretas sem sentido, melhor. Essa fórmula de fato funciona muito bem para divertir o público que vai ao cinema apenas para passar o tempo, mas também acaba por criar personagens que só sabem conversar através de bordões e que os seus grandes dilemas não são mais profundos que os meus quando estou na dúvida se vou comprar um Mentos Ice de maça verde ou de cereja. Os personagens da Marvel são sempre 100% bons ou 100% maus, 100% corajosos ou 100% covardes. A disputa entre Tony Stark e o Capitão América para ver quem é mais ético e moral não me deixa de dar vergonha alheia.

Certa vez, um amigo que estudou cinema me disse que até mesmo um filme de super heróis pode ser acreditável a partir do momento que o diretor/roteirista cria regras que são respeitadas durante todo o filme. E de fato eu pude ver isso ao assistir Watchmen. No filme existe uma hierarquia de poder entre os personagens e as lutas não precisam obrigatoriamente ser sempre equilibradas. É justamente essa hierarquia de poder que faz com que a maravilhosa cena inicial seja possível. Já no filme novo da Marvel (e lá vem [SPOILER][SPOILER][SPOILER]), sequências totalmente sem sentido como a do Iron Man dando conta do Capitão América e do Soldado Invernal juntos depois de ter feito um papelão na luta do aeroporto, tiram toda a credibilidade do filme.

Ao sair da sala de cinema, fica a dúvida se esse filme tinha realmente a necessidade de existir. Ele não cumpre nenhuma função no conjunto de filmes da Marvel sobre os vingadores nem abre a porta para futuros filmes mais interessantes. É apenas uma história jogada ao vento com a única função de passar o tempo.

 

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