Sim, ele pode. Está no direito dele como prefeito eleito da cidade de São Paulo implementar a medida, revogando a decisão tomada por Fernando Haddad, prefeito atual.

Acontece que a discussão nunca foi essa. A verdadeira pergunta é: Doria DEVE aumentar as velocidades nas marginais?

Logo que lançou sua candidatura o empresário prometeu que o faria, o que, provavelmente, lhe deu alguns pontos a mais na visão do eleitor paulistano – preocupado demais com seu carro para pensar no todo.

Um dia depois da cidade eleger João Dória, o jornal O Estado de S. Paulo  publicou uma reportagem sobre a diminuição do número de mortes da cidade em comparação com o estado. Especialistas no assunto afirmaram que a redução das mortes foi por causa da redução da velocidade.

Um dos responsáveis pelo estudo, encomendado por Alckmin, explica em entrevista ao Estado que se o carro está a 32 km/h, a possibilidade de um acidente ser letal é de 5%, enquanto se a velocidade for de 45 km/h, a probabilidade aumenta para 48%. Já a 64 km/h, o índice sobe para 85%. Pelo sim, pelo não, parece fazer muito mais sentido arriscar menos vidas – mesmo que a primeira reação das pessoas seja ficarem irritadas. Uma vida vale muito mais que o bom humor do cidadão.

Na última segunda-feira, 10, Doria anunciou que tinha mudado de ideia: de acordo com o prefeito eleito, que foi pedalar com um grupo de cicloativistas que o pressionaram, ele poderá manter os 50 km/h em áreas com maior fluxo de pedestres. O que, é claro, faz muito sentido! Ponto para o prefeito eleito! Ou não… Doria foi muito pressionado pelos que o elegeram e cobraram dele que não era essa a promessa que havia feito durante a campanha. Por isso, mudou o discurso.

Apesar de querer dizer quase a mesma coisa, o prefeito eleito mudou a perspectiva de seu discurso na terça-feira, 11, ao dizer que “apenas alguns pontos mudariam”. Os trechos que podem ficar como 50 km/h são exceção, todo o resto voltará a ser como era.

Doria ignora relatórios feitos por especialistas encomendados por seu próprio padrinho político, Alckmin. O prefeito eleito da cidade de São Paulo se mostra confuso e indeciso sobre a velocidade das marginais.

Talvez esteja aí o grande problema de Doria ser um gestor e não político: quer agradar os poderosos, sem pensar no bem-estar da sociedade como um todo.

6
2

Escrever artigo sobre este tema

O The Global P. é uma plataforma aberta de debate. Os textos nele postados não refletem a opinião do site. Você tem uma opinião diferente da desse autor? Escreva o seu próprio artigo! Clique aqui e saiba mais.