Eduardo Suplicy é uma figura simbólica na política brasileira por muitos motivos. O primeiro deles é o fato de ser membro da família industrial mais famosa do estado de São Paulo e mesmo assim ter sempre lutado por bandeiras de esquerda na política desde sua juventude. O ex-senador formou-se em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, completando seus estudos na Universidade de Michigan onde conclui seu mestrado em economia.

O peculiar caráter de Suplicy sempre aberto e receptivo a todas as pessoas fez dele um enorme sucesso principalmente entre os jovens. Até hoje é um dos poucos políticos do PT que são minimamente respeitados por toda a sociedade, independente de partido ou ideologia. Uma interessante história na vida política de Suplicy é sua luta pela renda mínima universal para todos os cidadãos. Tal proposta e sua respectiva luta trouxeram um enorme avanço ao Brasil em termos de debate público, ao mesmo tempo em que é uma proposta populista e inviável.

Primeiramente vale a pena ressaltar o aspecto positivo dessa história. Existe uma forte dicotomia entre economistas na forma como o Estado deve aferir seus gastos sociais. De um lado, temos os economistas de esquerda que possuem o desejo de criar um estado de bem estar social onde todos os cidadãos, independente de sua renda, teriam acesso a serviços prestados pelo Estado. Do outro lado estão os economistas mais liberais que acreditam ser necessária uma maior focalização dos gastos sociais com intuito de realmente atingir e afetar a  vida daqueles que mais precisam, de forma a ser mais efetivo e menos custoso para o governo, uma vez que a primeira lei da economia diz que os recursos são escassos, ainda mais o dinheiro do governo, provido por impostos tirados da sociedade.

O primeiro economista a defender um tipo de renda mínima para a população foi Milton Friedman nas décadas de 60 e 70. Nela, está contido o pressuposto de que o governo deveria garantir um mínimo que fosse suficiente para qualquer indivíduo se manter dignamente em vida, substituindo os decretos e leis que produzem distorções no mercado, e que, por conseqüência, afetam a economia e os mais pobres, como, por exemplo, o salário mínimo. O programa consistiria em garantir, a qualquer pessoa que ganhasse menos que o piso do IR, um subsídio proporcional àquilo que ela deveria pagar – no caso, a alíquota. A idéia rapidamente ganhou apoiadores, principalmente no Banco Mundial, que passou a apoiar e indicar a política para inúmeros países. Foi aí que entrou a importância de Suplicy, uma vez que ele foi o responsável por trazer esse debate ao nosso país e graças as discussões que aconteceram esse tipo de política de transferência de renda direta acabou ganhando escopo e força durante os anos 90, sendo implementado, primeiramente, em duas prefeituras diferentes: Campinas, que era tucana, e Brasília, à época petista, com Cristovão Buarque. No governo federal, os primeiros programas passaram a existir durante a gestão de FHC, que criou o Bolsa Escola (criticado pelo PT), Vale Gás e Vale Alimentação que com aperfeiçoamento culminaram no Bolsa Família.

O lado negativo dessa história toda é que Suplicy continua insistindo no seu projeto de renda mínima universal, algo totalmente incoerente para um país como o Brasil. O economista Felipe Salto fez uma conta simples para demonstrar o quão absurdo seria tal programa. O Brasil possui 200 milhões de pessoas, fixando um valor de 100 reais por pessoa, que seria baixo – uma vez que o programa tem intuito de garantir o mínimo para saúde, educação e transporte – o programa custaria mais de 200 bilhões de reais por ano. A título de comparação, o Bolsa Família custa pouco mais de 26 bilhões ao ano com uma enorme diferença: é eficiente, pois atende os realmente necessitados, disponibilizando a esses uma maior quantidade de recursos; e é barato, pois, não gasta com quem não precisa.

O último episódio marcante de Suplicy foi sua prisão em uma reocupação de posse na última semana. O primeiro ponto a ser levantada é que a reintegração foi ordenada pela própria prefeitura, comandada pelo partido da mesma legenda que o ex-senador, da qual ele fazia parte da SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS. Ora, se Suplicy está tão abismado com as reintegrações, por que, ele como secretário, não agiu em nenhuma das outras seis reintegrações ordenadas pela prefeitura? Suplicy passou de todos os limites com esse ato, pois, se pôs acima da ordem institucional que resguarda a ordem: prefeitura solicitou, judiciário deu seu parecer e a polícia cumpriu seu papel. É claro que a PM tem muita dificuldade – entenda por violência – em atuar em situações como essa. Mas não vai ser com esse tipo de atitude que vamos mudar esse cenário. Um homem como Suplicy que facilmente será eleito vereador não precisava de um papelão como esse.

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