Arthur Nory chamou atenção de todo o Brasil no último domingo ao ganhar uma medalha olímpica, o bronze no solo na ginástica artística masculina. Pessoas privilegiadas, como eu, de dentro de suas bolhas, não veem nenhum problema nisso – só poderia ser melhor se a medalha fosse de ouro.

No entanto, para a grande parte da população brasileira, que é negra, a presença de Nory no pódio era a impunidade em rede nacional: protagonista em um episódio de racismo, o ginasta, que fez um vídeo humilhando o companheiro de equipe, Ângelo Assumpção, teve apenas 30 dias de punição e mais nada.

Ângelo alega que foi impedido pela Confederação Brasileira de Ginástica de falar sobre o caso, que caiu no esquecimento. Nory, que antes era chamado de Arthur Mariano, achou um jeito de abafar o caso e, com a medalha, o episódio tende a cair no esquecimento.

Isso pode ser evitado, mas depende de nós. Depende de pensarmos sobre isso.

É comum ouvir o argumento de que Neymar, capitão da seleção brasileira de futebol masculino, não poderia usar a faixa porque não tem maturidade para ser um líder, um exemplo. O jogador é esquentado, se envolve em brigar e cai em provocações, por isso, não é um exemplo a ser seguido.

E Arthur Nory? Medalhista olímpico, ovacionado pelo povo brasileiro, por nós que “somos todos olímpicos”, é exemplo a ser seguido? O que o ginasta fez é crime, crime de injúria racial. Não deveria ser considerado um herói, mas um racista, que causou danos psicológicos a alguém que, supostamente, era seu amigo.

Uma excelente apresentação no solo não é suficiente para apagar o sofrimento de Ângelo Assumpção, que esperou que o companheiro de equipe ganhasse medalha também fora da ginástica.

A situação entre os ginastas é uma representação de uma situação que acontece todos os dias: negros sofrem com o racismo e brancos passam impunes por essa situação, como se nada tivesse acontecido. E é hora de mudar esse pensamento.

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