É impossível que uma população inteira tenha a mesma opinião. Sempre haverá discordâncias e todo ponto de vista deve ser respeitado – desde que essa opinião não seja, na verdade, uma opressão. Se a ideia do outro não for ofensiva, há caminho para o dialogo.

Em tempos de forte divisão no Pais, talvez o único caminho seja a educação. É esse instrumento que pode, primeiramente, ensinar às pessoas o que é “esquerda” e o que é “direita”. As ideias equivocadas sobre estes dois termos criam preconceito com iniciativas e projetos que, no fundo, não são partidários, mas sofrem retaliações por causa de rótulos que nem sempre são verdadeiros.

O segundo passo que é, provavelmente, o papel mais importante da educação no Brasil é lembrar que os direitos humanos não são “coisa da esquerda”, não são uma ideologia partidária.

O Brasil é um país cheio de desigualdade e, entre a população mais pobre, os direitos mais básicos para o ser humano não são respeitados. As pessoas não têm educação e saúde de qualidade, não têm saneamento básico, nem mesmo o que comer. Além dos pobres, há minorias que deixam de conseguir emprego e chegam a apanhar na rua por serem discriminadas. Apesar de essa realidade ser muito conhecida, ainda há quem fale dos direitos humanos como uma besteira, uma pauta leviana e “da esquerda”.

A maneira de incentivar o diálogo no Brasil é educar a população para que qualquer um consiga entender que todos terem o mínimo de dignidade é uma necessidade do País. Não importa em que partido a pessoa vote, qual sua religião, cor da pele ou orientação sexual, ela tem de ser respeitada e tem o direito de viver como qualquer ser humano.

As pessoas sempre poderão discordar, o que ninguém pode (ou não deveria poder) é fazer discursos de ódio que preguem a violência ou a exclusão. No Rio de Janeiro, por exemplo, a pessoa poderia escolher entre votar em Pedro Paulo, Osório ou Marcelo Freixo, mas não faz sentido que um ser humano consciente escolha votar em Marcelo Crivella, cujo discurso é diretamente contra os homossexuais.

No entanto, no Brasil, a informação é privilégio: poucos têm acesso a ela.  Pior ainda é o fato de tantas pessoas terem acesso à educação e não usufruir desse privilégio. Talvez, por isso, não haja dialogo no Brasil: a educação não é valorizada e conceitos básicos se perdem no ‘achismo’ das pessoas.

A educação parece o caminho mais concreto para o diálogo ser restabelecido um dia. Afinal, independente de posições ideológicas, nenhum brasileiro quer continuar pagando impostos abusivos sem receber benefícios ou assistir aos políticos corruptos desviarem dinheiro público – importante lembrar que, pelo que vemos hoje no País, a corrupção é apartidária e generalizada, salvo raras exceções.

Todas as pessoas têm o direito de viverem livres, em paz e, no mínimo, com seus direitos básicos, como moradia, saneamento, educação e saúde, garantidos pelo Estado. O dia em que as pessoas começarem a aceitar isso como premissa na hora de dialogar (e de votar), talvez seja possível ter ideias diferentes sem dividir o País de maneira tão radical.

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