A primeira série que resolvi acompanhar mais seriamente foi Smallville. Comprei o box da primeira temporada e o devorei em menos de uma semana. O mesmo aconteceu com a segunda, a terceira e a quarta temporada. Me perguntava porque não tinha me dedicado ao mundo das séries mais cedo. Era uma sensação ótima chegar em casa a noite e assistir 5 episódios seguidos até o sono falar mais alto. Os problemas do superman significavam mais na minha vida do que os meus próprios.

Tudo mudou na quinta temporada quando a inspiração dos roteiristas se esgotou e ficou claro que o dinheiro estava falando mais alto do que a vontade de fazer algo de qualidade. A decepção foi tão grande que resolvi abandonar a série do dia para a noite e procurar outra para dedicar as minhas horas livres.

Junto com alguns amigos, comprei todos os boxes de Prision Break, que como nos tinham dito, era uma das melhores séries dos últimos tempos. E de fato a primeira temporada cumpriu com as altas expectativas. Nunca tinha me deparado com algo tão viciante. Nunca tinha me envolvido tanto com uma história como com aquela de um irmão tentanto resgatar o outro preso em uma prisão de segurança máxima por um crime que não havia cometido. No entanto, a decepção veio mais cedo dessa vez. Já na segunda temporada a série se perdeu e virou um emaranhado de situações sem nexo. E como eu não gosto de gastar o meu tempo com séries que não me convençam, acabei por abandonar Prision Break também.



Depois dela, vieram outras como 24 horas, House of Cards, Jessica Jones, Narcos e mais recentemente Stranger Things. Algumas me prenderam mais e outras menos, mas nesse momento eu já tinha algo claro na minha cabeça: gosto mesmo é das sitcoms.

As sitcoms, diferente das demais, não sofrem com esse conflito capitalista que faz com que séries tenham os seus roteiros espremidos até a última gota para gerar mais dinheiro. Boas sitcoms são feitas de personagens bem trabalhados. Com bons personagens, as situações mais bestas podem originar as histórias mais engraçadas.

Um exemplo é o episódio de Kenan e Kel em que a família Rockmore, junto com todos os outros clientes de um restaunte, ficam presos em um frigorifico graças as trapalhadas de Kel. No entanto, a sitcom que fez isso com maior destreza é aquela que considero a melhor de todas: Eu, a patroa e as crianças. O episódio em que os Kyle estão atrasados para uma festa e Michael se dedica do começo ao fim em tentar apressar os outros membros da família, é uma das coisas mais hilárias que a TV já nos proporcionou.

A relação de Michael Kyle com os filhos tem as mais diferentes facetas: as vezes é de um educator heterodoxo e as vezes de um machão apreciador de um bom bullying. Talvez não seja o melhor pai, mas sem dúvidas é o melhor personagem do mundo (das sitcoms).

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