O caso de Marcos e Emilly no Big Brother Brasil 17 chocou muitos brasileiros. Na realidade, a Globo não fez mais que sua obrigação ao tirar o participante da casa depois de tudo que ele fez com sua “namorada”.

Quando a mulher vive um relacionamento abusivo, fato que ocorre com milhares de mulheres no mundo todo, é difícil tirá-las dessa situação. Como Emilly, elas têm dificuldade de enxergar a situação e entender que aquela pessoa que, supostamente, a amava, na realidade, é uma pessoa abusiva e violenta. No caso do BBB, os dois estavam em rede nacional, no canal de maior audiência do Brasil. O mínimo que a produção poderia fazer era tirá-la dessa situação. Deixar Marcos apontar o dedo na cara dela e falar o que bem entende sem nenhum tipo de punição seria (mais uma) maneira de falar aos homens que tudo bem eles agirem assim sob a desculpa de “estarem cegos de amor” – ou qualquer besteira do tipo.

Qualquer mulher que já passou por um relacionamento abusivo sabe o quanto é duro. Todo mundo tenta avisar, como a sister foi avisada até por uma psicóloga no confessionário, e ela não consegue aceitar que aquilo está longe de ser amor. Amor é carinho, cuidado, é ajudar a criar coisas construtivas um para o outro. Amor NÃO é abuso, violência, agressão.

É muito comum que as pessoas achem que violência é “só” agredir fisicamente, mas não. Os danos que a violência psicológica causa a uma pessoa podem ser irreparáveis. Ainda assim, ao ler comentários sobre o caso nas redes sociais, vemos muitas pessoas (especialmente homens, mas, infelizmente, também mulheres) dizendo que Marcos “só se exaltou”.

As mulheres são criadas com a ideia de que, um dia, se tiverem sorte, terão um marido. Por “marido” as pessoas querem dizer provedor, alguém que sustente a casa, que dê a ela o que ela precisa para sobreviver. Ninguém lembra de que um parceiro de vida é alguém (não necessariamente um homem) que ama, que respeita, que cuida e tem carinho. Colocar a comida na mesa é “fácil”, difícil é ter respeito e não sair descontando sua raiva nos outros.

Já os homens, por outro lado, são ensinados a vida toda que a mulher que se casar com eles será uma sortuda. Obviamente, com essas ideias, homens crescem acreditando que podem fazer o que bem entenderem, porque a mulher é quem tem sorte de tê-los, eles encontram alguém fácil, fácil.

Agora, felizmente, depois de MUITA luta, vivemos um momento em que muitas mulheres conseguiram se libertar para falar sobre seus relacionamentos abusivos, conseguiram se libertar para acabarem com eles – a máxima de “antes só do que mal acompanhada” parece valer mais que nunca. Há quem diga que vivemos “a primavera das mulheres”. É importante ter em mente que a Globo, de forma alguma, é protagonista disso. As mulheres são!

A Globo é só mais um entre tantos espaços onde o machismo é naturalizado e rola solto. Isso não mudou. O que mudou foi a atitude das mulheres em se disporem a denunciar e falar sobre o assunto.

Personalidades de nomes fortes, como Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Bruna Marquezine e Cissa Guimarães fazem um serviço à sociedade ao falarem abertamente sobre o assunto, sobre denúncia. Apesar de mulheres de classes mais altas já saberem disso, outras, que não têm acesso à informação, precisam ouvir nas mídias populares. Elas precisam saber que elas importam e que não precisam se submeter à violência.

O que aconteceu no Big Brother, com José Mayer e afins são casos emblemáticos e servem para informar a sociedade, mas, infelizmente, um número incontável de mulheres por aí passa por isso todos os dias. A Globo não fez mais que obrigação ao afastar essas pessoas porque como veículo de comunicação tem o dever de informar as pessoas sobre seus direitos, sobre as leis – assim como disse Tiago Leifert na noite da última segunda-feira: “Estamos inseridos em um contexto maior, o contexto da lei”.

O apresentador do reality ainda deu um recado muito importante: Emilly, a culpa NÃO É sua! Mulher abusada, mulher agredida, mulher violentada: a culpa NÃO É sua!

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