Dória disse que queria criar um espaço para grafites em São Paulo, como há em Miami, chamado de Windwood Walls. Em guerra declarada contra os pichadores, o novo prefeito de São Paulo “aconselhou” que eles virassem artistas, muralistas, grafiteiros. De forma contraditória, Dória apagou os grafites dos Arcos do Jânio e luta por uma cidade sem arte urbana.

A conclusão é que não, os grafiteiros não tem espaço em São Paulo, só se agradarem o novo prefeito. Fantasiado, ele disse que sentiu prazer em pintar por cima dos murais.

Os eleitores de Dória parecem satisfeitos com o “combate” aos pichadores. O que custa entender é que aqueles que tanto chamavam Haddad de “pintor”, por causa das ciclovias vermelhas pintadas no chão, agora apreciam as ações do novo prefeito de pintar por cima dos grafites e pichos.

Só a Ponte Estaiada foi pintada com dinheiro de empresários. De resto, as ações da “Cidade Linda” foram feitas com dinheiro público. Pelo menos, as ciclovias eram feitas para os cidadãos, as pinturas de Dória por cima de grafites e pichações são para ele. Esse é o conceito dele do que é uma cidade “linda”.

E do jeito que as coisas estão, parece que Dória terá de pintar a cidade muitas outras vezes, porque pichadores e grafiteiros não estão dispostos a parar.

No Largo da Batata, Mundano, o grafiteiro que lidera o projeto “Pimp My Carroça”, fez um desenho com os dizeres “Não dê vexame, São Paulo não é Miami”. O muro foi pintado de branco pela equipe do “Cidade Linda” e, em seguida, o artista foi lá limpar a tinta branca do muro.

Cada vez mais vemos prédios com dizeres contra o Prefeito. Do jeito que a banda tem tocado, parece que, em breve, teremos mais pichações do que tínhamos antes do projeto de Dória.

As pessoas querem ocupar o espaço público, querem fazer parte da cidade. Independente de ser bonito ou certo, claramente essa é a vontade da população. Lutar contra isso é travar uma guerra impossível. Seria muito mais inteligente da parte do Prefeito dialogar com essas pessoas, entender quem elas são, quais são seus objetivos.

Falar com os artistas urbanos seria a possibilidade de Dória de mostrar que não tem como objetivo uma São Paulo elitista. Infelizmente, o caminho é o contrário. O que é lindo para uma pessoa que vive em uma mansão nos Jardins não é o mesmo que para uma pessoa que vive na periferia, que nunca foi a uma galeria de arte, por exemplo.

Em vez de São Paulo ser uma só, de espaços livres em que qualquer um pode estar, a tendência é termos uma divisão ainda mais clara. A exclusão social fica ainda mais evidente quando o que é arte para alguns é considerada sujeira para outros.

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