Um fenômeno curioso atinge os setores mais conservadores da sociedade brasileira. A consolidação de estereótipos cada vez mais presente no pensamento do cidadão conservador leva as massas a confundirem direita e esquerda com conservadorismo e liberalismo. A posição favorável à legalização da maconha, por exemplo, nada tem a ver com o socialismo e o pensamento voltado à esquerda. Prova disso é o fato de a maconha ser legalizada em países capitalistas, como a Holanda e até mesmo em alguns estados norte-americanos.

Todavia, o cenário escatológico que permeia a política brasileira leva as massas a associarem cada vez mais o pensamento conservador à direita e o pensamento liberal à esquerda. Legalizar o aborto e as drogas não é um pensamento voltado somente aos socialistas; temos que pensar em direita e esquerda/capitalismo e socialismo como dicotomias do campo econômico.

Os grandes agentes desta confusão intelectual são: a falta de maturidade acadêmica do brasileiro e o fato – consequência do primeiro – de que o brasileiro médio vive, ainda, no auge da guerra fria. Acusar Hillary Clinton, e mesmo Bernie Sanders, de comunistas, por exemplo, é a maneira mais rude e ignorante de se analisar a política norte-americana, assim como esbravejar nas ruas a recusa de um suposto comunismo do PT é o reflexo de uma educação política e sociológica inexistentes na sociedade brasileira. Vivemos uma guerra imaginária em nosso território, e desta vez o fantasma não é invisível: é inexistente. Somos uma manada de esquizofrênicos criando inimigos a esmo e lutando batalhas que não existem. Criando, como parvos, quiméricas ameaças comunistas.

São estas as mesmas pessoas que afirmam com unhas e dentes – sem nunca terem lido sequer um livro a respeito – que o Nacional Socialismo alemão foi um movimento de esquerda, justificando-se pelo nome do partido e sem levar em conta o fato de o nazismo alemão ter sido essencial para o desenvolvimento de grandes iniciativas privadas hoje consolidadas no mercado global.

Através desta onda de ignorância, reproduzem a quatro cantos a inutilidade da obra de Marx e reduzem o teórico alemão a praticamente nada sem sequer terem lido o próprio, tampouco os teóricos posteriores que confrontaram suas ideias. Se usarmos de termos dialéticos, o conservadorismo brasileiro critica as teses que ajudaram a consolidar o pensamento marxista sem sequer passar perto de criar uma antítese. O que é, afinal, criticar o desconhecido, senão a exposição da própria mediocridade?

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