O mundo de fato presta mais atenção no que acontece na Europa do que eventos em qualquer outro lugar. É muito mais comum encontrar grandes reportagens e matérias especiais sobre atentados terroristas que acontecem em países como França e Alemanha, do que notícias sobre a Guerra da Síria, que já começou há mais de 5 anos e já havia matado mais de 470 mil pessoas até fevereiro deste ano.

Isso acontece porque o mundo é totalmente Eurocêntrico. Os países europeus colonizaram grande parte do mundo: a África, a América, a Oceania. É na Europa que as pessoas com dinheiro passam as férias. É para Europa que os refugiados vão em busca de uma vida mais digna, de um recomeço, de um lugar sem guerras civis e governos autoritários e violentos.

É com a Europa que o mundo mais se preocupa, mesmo enquanto há atentados diariamente no Oriente Médio, guerras sem fim na Síria e mesmo centenas de mortes de jovens negros das periferias brasileiras (fato que parece não ser nada relevante mesmo para os brasileiros).

O papel na mídia nessa indignação seletiva precisa ser discutido. É culpa dos grandes veículos que o mundo não se preocupe com outros lugares que não a Europa? Ou os meios de comunicação dão às pessoas aquilo que elas querem ler?

A discussão sobre os temas internacionais é constante, quase sempre esse questionamento é levantado. Sem dúvidas, ele é muito importante, mas não seria ainda mais prudente pensarmos em como nós, brasileiros, nos importamos mais com o que acontece em outro continente do que com o que acontece do lado das nossas próprias casa?

Em São Paulo, por exemplo, é muito comum que os cidadãos reclamem da criminalidade, mas já a tratamos como se fosse algo naturalizado. “Mais um assalto em São Paulo? Normal”. Não deveria ser normal.

Pouco se fala, também, sobre o enorme número de assassinatos a jovens negros em nosso país. A cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil. Ainda assim, nos preocupamos mais com os atentados em outros lugares do mundo.

Toda dor, todo sofrimento, é válido. Não há um grau de “importância” para as coisas ruins que acontecem no mundo, mas faz sentido darmos MUITO mais atenção a um lobo solitário nos Estados Unidos do que à situação de extrema pobreza que milhares de brasileiros vivem nos morros do Rio de Janeiros?

O complexo de vira-lata do Brasil faz com que nossos problemas pareçam sempre algo muito pequeno se comparado ao que acontece em “lugares melhores”. Nem sempre precisamos de atentados para que a violência chame atenção, e esse é o caso do nosso país.

O medo de um atentado terrorista na Olimpíada é enorme por parte dos brasileiros e é claro que isso faz muito sentido, visto que o mundo está tomado de novos ataques de extremistas, mas o brasileiro anda com medo a cada passo que dá, seja ele rico ou pobre, more ele em uma mansão ou em um barraco na favela. E isso é sim motivo para muita preocupação: o medo vive conosco, a preocupação e as dimensões disso tudo é que nós já perdemos.

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