Quando um circo é armado, só se pode esperar uma coisa: palhaçada. Eis a primeira coisa que devemos ter em mente diante da cobertura midiática e das reações polarizadas quanto ao depoimento de Lula a Sérgio Moro na próxima quarta-feira, dia 10 de maio.

            De um lado, a direita e a mídia se alimentam da polarização e do ódio no ímpeto de criar novos – e falsos – heróis. Heróis recém-saídos do forno, como Sérgio Moro e os demais condutores da Lava-Jato.

            Sob o aplauso geral daqueles que reduzem suas opiniões políticas a um palavrório raivoso e desembestado – contra Lula, “amigos do Lula”, PT, contra uma “esquerda” que parece ter sido ressuscitada diretamente dos idos da Guerra Fria – vemos legitimar-se tanto abusos da norma e do procedimento jurídicos, quanto um projeto político reacionário de cerceamento de direitos sociais históricos. Um circo chamado de Justiça.

            Por outro lado, a militância petista agarrada com unhas e dentes às suas antigas posições no tabuleiro político nacional, inflama-se pateticamente de um discurso cheio de motes e clichês.       

           Ela leva em conta que, em nível municipal, a aliança PT-PMDB continua operante e com resultados? Consideram que, para pmdbistas e empreseários, frear a Lava Jato (“estancar a sangria”, como disse Jucá) e salvar a pele de Lula talvez simbolizam o mesmo e único projeto? Considerariam que a candidatura de Lula pode ser o principal movimento nesse sentido: o de salvar a classe política ameaçada?

            O cenário é absolutamente preocupante.

           Moro e seus correligionários vislumbram uma carreira brilhante sobre o bode expiatório do lulopetismo, mas são complacentes com o movimento golpista que transformou a Lava Jato numa manobra de Impeachment.           

            O petismo parece voltar a ganhar força eleitoral. Saudosismo das conquistas sociais da última década? Talvez… Mas essa nostalgia não mascararia um intento muito menos nobre, digamos, o uso de Lula e de sua força política como tábua de salvação do antigo acordo governista?

            Ambos os cenários parecem absurdos – apresentam soluções falsas. Típica situação em que, incapaz de escolher o “menos pior” entre os dois, parcela da sociedade passa a cogitar a “mais pior”: Bolsonaro.

            Precisamos de algo novo. Mas, o que ele seria?Ainda haveria tempo? Ele teria força?

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