Desde 2009 o jornalista não precisa de diploma para exercer sua profissão. Contudo, isso não quer dizer que a faculdade de jornalismo seja inútil.

A parte teórica do jornalismo talvez não seja um diferencial no momento de trabalhar na área. Tem muita coisa que eu, como estudante do último ano do curso, já esqueci e nunca fizeram diferença alguma nos meus poucos meses de trabalho.

Mas, tem uma teoria que nunca esqueci: a do gatekeeper. De acordo com ela, existe uma grande mídia, detentora do poder, que decide o que vai passar para o público. Com o passar do tempo e a mudança da comunicação, essa teoria mudou.

A internet trouxe a democratização da produção de conteúdo. Qualquer um pode escrever, informar, opinar de forma aberta, o que pode ser muito positivo, pela multiplicidade de visões. Consequentemente, não há mais um gatekeeper, mas vários. Em vez de a informação estar concentrada nas mãos das empresas midiáticas, está nas mãos de diversas pessoas.

Dessa forma, comprova-se que, realmente, para ser um comunicador, não é preciso ter um diploma. Ninguém precisa ter diploma para escrever textão no Facebook, contribuir para plataformas colaborativas (como essa que você estão lendo agora) ou ter seu próprio blog.

Colocar-se no papel de comunicador é um grande poder e, consequentemente, uma grande responsabilidade. É aí que mora o problema.

A faculdade de jornalismo pode não ser essencial para formar jornalistas, mas não se pode negar que ela é importante para formar pessoas com bom senso e responsabilidade. Os professores, em sua maioria, são profissionais com anos de carreira, que sabem onde opinar, o que devem apontar para que os erros sejam evitados quando os futuros jornalistas entrarem no mercado de trabalho.

Quando alguém é, de fato, jornalista, há vivências que pessoas que nunca estiveram no mercado da comunicação não conhecem certo. Os novos produtores de informação e conteúdo talvez pouco saibam sobre apuração de fatos, isto é, a checagem de informações. Por isso, é preciso tomar cuidado.

A tendência é que cada vez mais pessoas sejam gatekeepers com o poder de decidir que informações vão soltar. Para que isso não seja um problema, é preciso que cada um seja um pouco mais jornalista não só na hora de jogar uma informação na rede, mas na hora de apurar. Isso vale tanto para quem produz quanto para quem lê.

Compartilhar desenfreadamente informação sem confirmação ou credibilidade é desinformação. Com essa mudança de cenários, as mídias tradicionais ganham ainda mais responsabilidade, pois são formas de verificação para saber se a informação dada por uma fonte alternativa é verdadeira ou não.

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