A nova comédia da Netflix pode ser descrita como uma ficção sobre um livro de não-ficção, que na verdade é de ficção, mas que no final é meio ficção e meio não-ficção e que no fim das contas, fala da nossa realidade com mais precisão do que muito filme de não-ficção.

O longa conta a história do autor de um livro sobre um assassino que, graças a riqueza de detalhes que emprega na sua obra, é confundido com um assassino real e é sequestrado por uma guerrilha revolucionária e levado para a Venezuela para matar o presidente do país. Na Venezuela, ele se vê cercado pelas três grandes forças que disputam o país: o presidente corrupto, um traficante poderoso e os guerrilheiros revolucionários.

Desde o princípio, os guerrilheiros são pintados como aqueles que querem tirar o presidente corrupto do poder e nós, como telespectadores, ficamos torcendo para que o “assassino” se alie a eles e não aos outros. No entanto, um diálogo entre um dos guerrilheiros e o chefe da guerrilha deixa claro as reais intenções deles. O guerrilheiro, com a perspectiva da vitória, comemora dizendo ao seu líder que estão perto de reconquistar o país deles, quando o chefão o corrige: “Estamos perto de reconquistar o meu país”.

Obviamente não posso julgar todas as guerrilhas da história como ditadoras, assim como não posso dizer que todo presidente é corrupto (pois se o fizesse, estaria caindo no mesmo discurso daqueles que propagam ódio nas redes sociais), mas uma coisa me parece clara: em um país como o Brasil, o poder costuma atrair os mais corruptos e quando o sujeito no poder não está lá pela corrupção, a sua posição trata de corrompê-lo.

Por esse motivo, jamais vou me indispor com um semelhante defendendo um político ou partido pelo qual eu não colocaria a minha mão no fogo. Ideologias sim devem ser defendidas com afinco e não vou me opor aos que dizem que deveríamos lutar com todas as nossas armas por elas, mas eu, particularmente, prefiro o diálogo. Acredito que política séria se faz com debate de ideias e com meio termos, nem 8 e nem 80. Nem tudo que deu certo lá fora vai dar certo no Brasil. Para construir um país justo, precisamos ouvir a todos, testar políticas e construir o nosso próprio caminho.

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