Existia no deserto um cacto muito carente pois nasceu isolado dos outros cactos e queria muito um abraço mas nenhum animal que passasse perto queria tocá-lo devido aos seus afiados espinhos, usados para proteção.

O cacto estava dividido entre abrir mão de sua certeira proteção contra as agressões externas ou poder suprir suas carência afetiva que tanto lhe fazia entristecer e num átimo de desespero decidiu arrancar seus espinhos e tornar-se apto para ser abraçado por quem passasse naquela região desértica.

Mesmo sem nenhuma garantia de que outro ser passasse e quisesse lhe abraçar, o cacto assumiu o risco de estar adequado para tal ato de carinho e reciprocidade.

As vezes queremos afeto mas estamos com nossos espinhos demonstrando agressividade e afastando quem mais queríamos próximo e quem quer receber afeto acaba expondo suas defesas sem garantia de retribuição de afeto.

Não se sabe se o cacto foi abraçado como desejava antes de morrer ou ser morto por estar desprotegido, mas ele decidiu tornar-se apto para receber afeição do que manter os espinhos e certificar-se de que nunca seria abraçado.

O sofrimento é certeiro, a alegria é um risco.

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