Gosto de muitos nomes da nossa literatura, mas nenhum está para mim, acima de Machado de Assis. Ele tinha um jeito único de escrever, original. Era mestre da narrativa em primeira pessoa e contava histórias como se as tivesse vivido pessoalmente. Despia seus personagens um a um, fazendo com que enxergássemos todos eles de dentro para fora.

 

Não à toa era considerado um “analista da alma humana”. Irônico, mas não um irônico qualquer. Era dono de uma ironia refinada e ra a sua ironia uma das características mais atraentes da sua escrita. Junto a um recorrente pessimismo, Machado falava do Rio, dos homens, da política e da vida.

 

Machado impressionava não somente pela riqueza de suas obras, mas pela riqueza de sua história de vida, também. Nasceu pobre, no morro do Livramento, era epilético, perdeu a mãe aos 10 anos, ajudava a família vendendo doces e, inacreditavelmente, mal frequentou a escola. Todo o seu aprendizado e instrução vieram por conta própria. Aprendeu a falar e escrever francês, inglês e alemão sozinho – e neguinho separando sujeito e verbo com virgula por aí.

 

Fundou a Academia Brasileira de Letras, escreveu cinco livros de poesia, sete de contos, nove de teatro e nove romances. Foi ele quem disse coisas como “Ama de igual amor o poluto e o impoluto; começa e recomeça uma perpétua lida; e sorrindo obedece ao divino estatuto. Tu dirás que e´a morte. eu direi que é a vida”. Incrível, simplesmente incrível.

 

Só que você descobre, através de uma pesquisa do ibope, que esse homem (sim,esse!) empatou com a youtuber Kefera (??) na lista de autores mais lidos do Brasil. Ele que foi, muitas vezes, comparado a Shakespeare, a Flaubert e Dostoiévski. Não há heresia maior.

 

Aí você entende, definitivamente, por qual razão isso aqui não corre o menor risco de dar certo. Não tem perigo, gente. Machado sempre acertou e mais ainda quando disse que “o inferno é um hospício de incuráveis”.

 

Só que o inferno é aqui, mesmo.

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