O mundo não quer abandonar o patriarcado. As pessoas desejam continuar com a figura do pai do poder, daquele pai autoritário, provedor, aquele que paga tudo, mas, depois, cobra caro (nem sempre com dinheiro).

É isso que as pessoas querem. Quem nunca ouviu que “mulher não serve para ser _ (insira aqui um cargo importante que, normalmente, é ocupado por homens)”. A população quer ser governada pela família tradicional, uma primeira dama bonita e os filhos exemplares, tudo isso como propriedade do homem trabalhador que lutou para chegar onde está.

O mundo não está pronto para aceitar uma mulher em um cargo alto, de muito poder. O cenário mundial indica isso. Dilma, tanto no primeiro quanto no tempo que conseguiu exercer o posto no segundo mandato, era criticada por tudo. Cada passo que ela dava, cada erro que cometia, todos eram exaltados de maneira violenta. NADA que Dilma fizesse de errado passaria. Um passo errado e todos estariam falando, fazendo piada.

Com Temer, o caso é muito diferente. Depois de dar um golpe na presidente eleita democraticamente, ele nomeou diversos ministros com nome sujo. Três caíram e, dos 22, 19 tinham suspeita de envolvimento com a Lava Jato. O presidente censurou a população com a proibição de cartazes com dizeres de “Fora Temer” na Olimpíada do Rio. A PEC 241 bate à nossa porta para congelar por 20 anos todos os gastos públicos. Engraçado – ou irônico – notar que Temer reúne poucas críticas. Ninguém faz piada com as mesóclises antiquadas que ele usa no dia a dia, como se fosse super natural.

Nos Estados Unidos acabamos de assistir o mesmo acontecer. Trump é racista. Xenófobo. Misógino. Repressor. Ignorante quanto à política. Nada disso o impediu de ser eleito presidente da maior potência do mundo. Hillary não é perfeita e está longe disso, mas cada erro dela custou BEM mais caro que os de Trump.



O fato de ele querer construir um muro entre Estados Unidos e México não foi o suficiente para ser rejeitado – pelo contrário, foi o motivo de ter sido exaltado.

A política de Hillary para o Oriente Médio e a maneira como ela vê as guerras são aspectos negativos, mas até parece que foi por isso que ela não ganhou. As investigações do FBI contra ela colaboraram para piorar a imagem da democrata, mas se tivesse sido com ele, nada teria mudado. Se nem vítimas de abusos depondo contra ele o afetaram, o que afetaria?
Dilma e Hillary são diferentes, cometeram erros diferentes, isso não é uma comparação entre elas, mas um paralelo para exemplificar que os defeitos das mulheres, seus equívocos, tudo isso custa caro – muito mais caro que para os homens.

Quase ninguém fez piada com Temer, mesmo que ele não aguentasse nem uma vaia na hora de discursar, mesmo que ele tenha mandado manifestantes “irem trabalhar” enquanto o Brasil bate recorde de desempregados.

A minoria acha que Trump era desqualificado por ser preconceituoso e ignorante, além de querer “catalogar” todos os muçulmanos do país, como se isso fosse ajudar na segurança.

O poder continua na mão dos homens e no momento em que as mulheres se aproximavam deste tesouro tão precioso, lhes tiraram. E talvez seja assim por muito mais tempo, porque parece que nada vai mudar tão cedo.

Ainda assim, vale lembrar: lugar de mulher é onde ela quiser. Os conservadores que se cuidem, estamos longe de desistir da luta. É só o começo. Já está na hora de parar de desqualificar mulheres pelo simples fato de serem MULHERES. 

P.S.: Antes que alguém fale de Angela Merkel, toda regra tem uma exceção. Os alemães parecem ter aprendido alguma coisa com seu passado sombrio e obscuro. Quem sabe agora os Estados Unidos aprendem uma lição – o Brasil ainda está longe de aprender. Tememos por 2018.

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