É óbvio que a Operação Carne Fraca mostra problemas gravíssimos no Brasil e causa um forte abalo na confiança dos mercados para os quais o País exporta suas carnes, mas será que faz sentido que todos os brasileiros fiquem tão desesperados com os alimentos que comem?

Entre quatro mil frigoríficos inspecionados, 21 tinham problemas. A concentração da questão foi no Paraná, 18 deles ficam no estado da região sul do País. Vale a pena ter nojo e desconfiar de todas as carnes? Claro que o fato de que a maioria dos frigoríficos pertencem a grandes empresas é um agravante, mas apenas 0,5% dos estabelecimentos têm envolvimento com o esquema de corrupção. É importante também dizer que supermercados já barraram produtos vindos dos frigoríficos corrompidos.

A comunicação foi um fator decisivo para que as pessoas ficassem excessivamente desesperadas em relação aos alimentos e começassem a compartilhar loucamente piadinhas sobre papelão nas redes sociais.

Pode ter faltado à mídia bom senso para informar na medida certa, tomando certos cuidados para não causar alarde. No entanto, vale ressaltar que “comunicação” não se refere exclusivamente a como a mídia passa informações, mas como as pessoas recebem as informações.

Se alguém entrar em (quase) qualquer matéria sobre a Operação Carne Fraca, ela encontrará as informações detalhadas na matéria. A questão é que a maioria do público “consumidor” de notícias não passa da linha fina. Leem o título, no máximo a linha fina, mas se chegam ao lide, temos praticamente um milagre.

Quando lemos só a manchete, não temos uma informação, uma notícia, mas um pequeno resumo daquilo que, teoricamente, leremos na matéria completa. Talvez, se todos fizessem isso, o medo de comer uma carne com salmonela ou papelão fosse muito menor e o desespero nem existiria para aqueles que não moram no Paraná.

É natural que a confiança de outros países nas carnes brasileiras fique abalada, os frigoríficos com problema exportavam o produto, mas não é como se tudo estivesse perdido. Há muita fiscalização, se não houvesse, os outros quatro mil estabelecimentos não estaria bons.

Além disso, é bom revisar as hipocrisias. Quantas frutas, legumes e verduras cada pessoa deixa de comer por usarem transgênicos na plantação destes alimentos? Provavelmente poucos – ou nenhum.

O dia que a carne e o agronegócio forem problemas de verdade para todos, quando as pessoas se importarem com o quanto isso faz mal para elas ou para o meio ambiente, o questionamento será super válido! Mas enquanto só tiverem medo de comer papelão por lerem as manchetes, é besteira mesmo.

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