Ao contrário do que muitos imaginam, a ida de Lula a Curitiba não é de tudo ruim. O ordenamento jurídico brasileiro permite ao acusado a defesa pessoal, que é aquele momento em que ele explica ao juiz a sua versão da história, neste sentido, Lula vai a Curitiba para defender o próprio direito, e não simplesmente cumprir os ditames de Sérgio Moro, como muitos pensam…

A crítica que fazemos porém não é em relação ao depoimento do Lula, antes definido para o dia 3 e obscuramente modificado para o dia 10. Queremos entender por que de tanta imparcialidade na Operação Lava Jato e por que apenas neste caso pontual delações são aceitas livremente sem apresentar provas concretas.

A ala progressista brasileira entende que existe uma política de lawfare contra o ex-presidente Lula e esta perseguição, que parece ser contra uma pessoa, na verdade é um ataque à ideologia da redistribuição de renda. Se todos os governantes favoráveis às medidas sociais como FIES, pro-UNI, Ciência sem Fronteiras entre outras forem retirados de cena, ficará cada vez mais fácil regredir o Brasil à qualidade extrativista, perpetuando nossa história no cenário geopolítico mundial.

Esta tendência à desindustrialização não é pioneira no Brasil. Países como a Nigéria tiveram seu crescimento industrial proibido após encontrarem reservas de petróleo, e se observarmos ao redor do mundo, será fácil perceber que em todos os países a mesma receita de bolo é utilizada: Primeiro espalham discórdia a partir de um motivo, seja religioso, seja político seja qual for. Depois, com a população dividida, “enjaulam” os políticos nacionalistas e entregam o governo para aqueles que estejam dispostos a privatizar tudo e entregar a população como mão de obra barata.

E daí? O que tudo isso tem a ver com a ida de Lula a Curitiba, em especial, a movimentação social que está sendo formada em seu apoio?

A medida em que a população percebe a perseguição da maquina do estado contra a ideologia de redistribuição de renda, hoje representada pela figura do Ex. Presidente Lula, mais pessoas vão saindo da jaula midiática da Rede Globo. O mesmo país que permitiu a um juiz de primeira instância ridicularizar o chefe máximo do seu executivo perante todo o mundo, não vai compactuar com a prisão do maior político de sua história democrática, e é neste sentido que o dia 10 de Maio entra para a história do Brasil.

“Trazer o poder de volta” – que é uma frase do grupo “Rage against the Machine”, (em português “reação contra a maquina) explica bem este momento da política brasileira: Estamos em uma espécie de “entre a cruz e a espada” pois podemos reunificar a população contra a política colonialista de investidores que vivem da exploração de petróleo e trazer de volta a política vivida há 8 anos atrás: Crescimento industrial, investimentos em educação e geopolítica soberana. Se fraquejarmos agora, certamente intensificaremos os conflitos civis, seguindo o triste destino de países como a Síria e Iraque, onde a população é vista pelos especuladores internacionais como simples ferramentas empregadas na produção de commodities.

O 10 de Maio não é apenas o dia do depoimento de Lula em Curitiba, mas o dia em que a população brasileira vai mostrar que sabe o que está acontecendo. Ao apoiar Lula, vítima da maior perseguição midiática da história da imprensa brasileira, a população tem a oportunidade de mostrar que a mídia está perdendo o controle, e o povo está “tomando o controle de volta”.

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