O filósofo grego Aristóteles acreditava na educação como forma de preparar o homem para viver em sociedade. Na atualidade, esse pensamento ainda é válido tendo em vista a forma como o homem tem se relacionado com seus semelhantes e esquecido o sentido de viver em sociedade. O maior bem para Aristóteles seria a felicidade e essa só seria alcançada através da educação.

Aristóteles pensa a educação como causa da felicidade, pois acredita que todas as causas têm um fim. A educação seria a maneira de preparar o cidadão para a vida em sociedade, e essa vida em sociedade deveria se dar por meio de virtude calcada na boa educação e na prática de atos virtuosos. Para o filósofo, não aprendemos a virtude lendo textos ou ouvindo conceitos sobre a palavra, mas aprendemos a ser virtuosos mediante a educação que recebemos e praticando atos virtuosos. Entretanto, precisaríamos de certo conhecimento sobre os valores e definições de justiça em cada sociedade para sermos justos e virtuosos, mas a virtude e a justeza não estariam “fechadas” nessas definições.

Segundo Aristóteles, a educação deveria ser direito do estado. Ou seja, deveria haver uma educação pública voltada para todos. E, ao mesmo tempo, a educação teria seus fundamentos na família, sendo supervisionada pelo estado a fim de se garantir sua qualidade com o intuito de preparar a criança para a pólis. Para o filósofo, a forma de se educar seria através da repetição. Uma criança estaria sendo bem educada repetindo os gestos de virtude demonstrados pelos seus preceptores. Daí, a necessidade de as crianças terem uma boa instrução.

Mas, o que seria de fato essa boa educação para Aristóteles? Sabemos que Aristóteles toma como referência positiva a educação na Cidade-Estado de Esparta. Ao nascer, todas as crianças eram apresentadas para uma comissão de avaliadores que decidiam se esta deveria ou não continuar vivendo. Se não fosse forte, perfeita e saudável a criança não tinha direito à vida. Era sacrificada em benefício da pátria. Se fosse forte e perfeita, sem nenhum indício de doença, seria mantida com a família até idade de sete anos, quando então o Estado se apropriava dela e lhe garantia educava até os vinte anos, sob a autoridade de um magistrado responsável por sua formação física, moral e cívica. Era uma educação austera, dura, que tinha como objetivo o ensino da obediência às leis e o servir à Pátria.

Para Aristóteles, a educação é um instrumento pelo qual o homem se realiza no sentido político do termo, pois essa é a finalidade do homem segundo o filósofo. Mas convém lembrar que não existe nenhum escrito de Aristóteles de forma direta sobre educação, então faz-se necessária uma interpretação do que está dito na Ética Nicômaquéia e na Política. Na Ética Nicômaquéia, Aristóteles explicita o caráter de sua ética que- em síntese – seria o bem agir perante a sociedade e praticar atos virtuosos. Ora, para o estagirita o homem seria naturalmente um ser político, nascido, portanto, para a vida em sociedade.

Durante o tempo em que Aristóteles passou na Academia de Platão, uma das suas maiores rivalidades foi com a escola de Isócrates, para quem o ensino da retórica era visto como indispensável para a formação do cidadão. Apesar de Aristóteles ter estudado retórica, tinha uma visão diferente não só de Isócrates como também do seu mestre Platão. Para Aristóteles, a educação dever ser separada em seus diferentes modos. No que concerne aos conteúdos, não seria interessante pensar que as verdades matemáticas caberiam em uma argumentação retórica. O ensino para Aristóteles toma um rumo diferente do Platônico. Platão tinha em mente um ideal de BEM SUPREMO para a vida. Enquanto para Aristóteles, a educação não deve ser de um ideal utópico de vida, sabendo da imperfeição humana, essa seria amenizada com a educação. Seu “ideal” poderia ser alcançado com um estado virtuoso.

Aristóteles acreditava que O BEM SUPREMO seria a felicidade. Entretanto, não seria um bem supremo utópico. Seria como foi dito um exercício da virtude e das ações virtuosas na sociedade e em segundo plano ficaria a realização dos bens materiais. Tais exercícios de virtude não se dariam sem uma instrução, a natureza humana não teria a capacidade, segundo Aristóteles de agir deliberadamente para com atos virtuosos, seria preciso uma instrução (educação) para agir de modo virtuoso na sociedade. Aristóteles, no Livro Ética Nicômaquéia, pensa em uma educação ministrada pelo ensino privado. Mas, logo depois no livro Política, ele faz uma reflexão sobre esse ensino e defende a educação sendo ministrada pelo Estado, com o argumento de que na educação privada cada um poderia ensinar o que quisesse par seus alunos. Enquanto no público, a educação seria mais coesa para com os ideais do Estado. Pois, não havia uma individualidade, um eu, tal como concebemos. Os cidadãos eram unidos ao Estado, defendo não interesses pessoais, mas, os da pólis.

Para Aristóteles, era inútil procurarmos algo supremo e inatingível, como a idéia do Bem Supremo. O conhecimento do que nos cerca, do que está ao nosso redor, seria de fato suficiente para o nosso conhecimento e para atingirmos a virtude. Dessa forma, para pensar educação em Aristóteles é preciso saber o que ele entendia por ética, bem como o que ele considerava ser o viver bem e para o estagirita o exercício da ética conduziria o homem à felicidade ou à sua finalidade: sua realização no seio da sociedade. Então, a educação pensada sobre a ótica aristotélica é aquela na qual os homens são treinados para o exercício da virtude e para a aplicação da ética na sociedade. A ideia aristotélica de o homem ser um ser político por natureza não concerne à vida política (segundo o sentido que vemos hoje primariamente na palavra), tal como muitas vezes se pensa erroneamente, porém uma vida voltada para a Pólis.

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