Na madrugada do dia 29 de novembro de 2016, o Brasil recebeu uma das piores notícias que já recebeu pela manhã. Rumo à cidade de Medellín, na Colômbia, o avião que levava a delegação da Chapecoense caiu por aparente falta de combustível, matando 71 dos 77 passageiros à bordo. Os seis sobreviventes confirmados foram o goleiro Follmann, o zagueiro Neto (o vídeo abaixo mostra imagens do resgate dele), o lateral Alan Ruschel, o jornalista Rafael Henzel e dois membros da tripulação, Ximena Suárez e Erwin Tumiri. O goleiro Danilo foi resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital para onde foi transferido. Todos os outros 71 corpos foram encontrados pela unidade de resgate local.

Com o acidente do time de futebol de Chapecó (SC) e os noticiários em alta acompanhando e trazendo maiores informações sobre a tragédia, o portal Catraca Livre decidiu se aproveitar do momento para “caçar acessos” e monetizar essa audiência às custas da tragédia.

Logo que as notícias sobre possíveis causas da queda do avião começaram a vir à tona, o Catraca Livre lançou uma matéria com o título “Passageiros que filmam pânico em avião”. No site, imagens filmadas que mostravam a reação de passageiros em um acidente de avião. Entretanto, o vídeo era de um pouso forçado de um voo entre Miami e Chicago da American Airlines, e não do acidente com a equipe da Chapecoense. E a página não menciona isso: apenas diz que é de um acidente de avião. Naturalmente, quem está chocado com o que aconteceu com a equipe da Chapecoense vai procurar saber mais esperando que se trate do assunto do momento. Mas a anúncio não passava de um mero “caça visualizações”.

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A matéria que o Catraca Livre publicou não passa de pura enganação. Sensacionalismo barato de quinta categoria tentando se alavancar na tragédia alheia.

Como se não bastasse o desrespeito para com as vítimas do acidente, a página publicou ainda uma matéria para dizer que o medo de voar é infundado (sim, o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo, mas falar isso naquele momento é puro sensacionalismo). E, em seguida, publicou uma matéria com fotos e “selfies” que os jogadores tiraram antes do acidente sob o título “10 fotos de pessoas em seu último dia de vida”.

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A pior parte talvez seja saber que todo esse sensacionalismo se deve à “caça de acessos” ao site. Afinal, anúncios e propagandas em sites e blogs pagam mais para a plataforma que os hospeda quanto maior for o número de acessos. Isso é puro acompanhamento da demanda. Mas tentar capitalizar esses ganhos com propaganda às custas de tragédia alheia é, no mínimo, reprovável.

Dito isso, eis a importante lição que o Catraca Livre nos ensina: liberdade para agir sem muitos custos de transação é um elemento essencial para um ambiente em que as pessoas possam ser respeitadas e tenham sua opinião registrada. Mas o que isso quer dizer?

Quando uma empresa adota práticas que contrariem a vontade de seus consumidores, uma das práticas mais utilizadas em um ambiente de livre transações e livre mercado é o boicote. Quem antes lá consumia passa a se abster desse consumo. Trata-se, pois, da essência conceitual de Liberdade: caso não deseje ser submetido a preferências outras que não as suas, pode-se evitar tais posicionamentos com um simples “não fazer”. E, se em uma empresa as pessoas deixam de comprar, no Facebook, elas deixam de seguir. Como menos seguidores implicam em uma audiência menor, os ganhos com propaganda e publicidade são reduzidos. E, assim, os internautas conseguem “punir” as páginas que não lhes agradam.

E o Catraca Livre nos ensinou justamente o poder das pessoas em um ambiente de liberdade e com possibilidade de escolha de ação. As pessoas escolheram não mais seguir a página, e de mais de 8 milhões de seguidores, a página já perdeu mais de 200 mil em menos de uma semana. Quem produz conteúdo ruim e desrespeitoso para com as pessoas certamente não terá os mesmos seguidores que uma página respeitosa e verdadeiramente plural.

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A lição que fica em virtude das posturas problemáticas do Catraca Livre é clara: o poder das pessoas só poderá ser sentido em um ambiente livre, onde não há burocracia para seguir ou deixar de seguir quem fala coisas certas ou erradas. Organizações governamentais, por exemplo, não têm a mesma preocupação que entidades privadas para agradar seus usuários, porque não há liberdade de escolha por parte do cidadão: o governo não tem concorrentes. Por isso, para dar voz aos sensatos e retirar o microfone de quem não o merece, precisamos de liberdade. E as redes sociais talvez sejam nosso melhor exemplo de um ambiente livre e sem intervenções governamentais pela qual deveríamos nos espelhar para pensar o mundo.

Com liberdade, somos mais poderosos do que imaginamos.

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