Em 24 de Julho de 2008, no início da campanha presidencial, Barack Hussein Obama, então o candidato azarão, discursava diante de aproximadamente 200 mil pessoas numa praça em Berlin, capital da Alemanha. No local escolhido, a Tiergarter, diante de um monumento dedicado as vitórias do emergente Império Alemão contra austríacos, dinamarqueses e Napoleão III no século XIX, em guerras que foram formadoras, de fato, da Alemanha moderna. O monumento foi durante a guerra fria ponto de encontro dos entusiastas da reunificação alemã na porção ocidental de uma Berlin dividida por um muro e entre os dois regimes econômicos e políticos que disputavam a hegemonia global.

No histórico discurso, a mensagem de Obama objetiva era centralizada em apresentar uma nova perspectiva de relações com a OTAN, estremecidas pelo fracasso das guerras no Iraque e no Afeganistão, mas no plano do simbólico, o candidato celebrado pela mídia europeia como “popstar” fez um convite para todo o mundo: “Povo do mundo, olhe para Berlin!

Berlin foi exaltada em seu discurso como a cidade que sepultou o símbolo da divisão entre a liberdade e a tirania, entre o leste e o oeste, entre o medo e a esperança, e mais adiante, no mesmo discurso, contextualizou os muros a serem derrubados:

The walls between old allies on either side of the Atlantic cannot stand. The walls between the countries with the most and those with the least cannot stand. The walls between races and tribes; natives and immigrants; Christian and Muslim and Jew cannot stand. These now are the walls we must tear down.

Passados quase 9 anos, Barack H. Obama dirigiu a maior potência do mundo durante 8 anos e no que, além do imenso carisma, contribuiu para derrubar estes muros? O resultado de sua desastrosa política externa, destruindo Estados pelo Oriente Médio além dos já arrasados Iraque e Afeganistão, resultou na pior crise de refugiados de que se tem registro na história humana, na expansão da influência do terror islâmico e de uma nova onda de nacionalismo e populismo que desembocou no “Brexit” e no aprofundamento de um debate sobre o retorno dos muros na Comunidade Europeia e que ameaça todo um establishment europeu pós-91 que foi fundamental para consolidar a paz num continente que superava décadas de tensão da Guerra Fria.

Internamente, este ano, outro outsider acaba de tomar posse tendo feito apenas uma visita de campanha ao exterior, ao México, justamente para tratar da construção de mais muros. Na primeira segunda-feira de mandato, Donald Trump “sepultou” Parceria Transpacífico, uma das únicas bandeiras externas da gestão Obama que não envolvia o bombardeio a outros países soberanos.

Determinados processos ou tendências históricas duram muito mais tempo do que aparentam, e se marcam por recuos e ressurgimentos no decorrer do tempo, mas ao que tudo indica, da precocidade de menos de uma semana após deixar a Casa Branca, Barack H. Obama deverá enfrentar uma grande luta para entrar para história como mais do que um rostinho bonito, simpático, um “Superstar” que não deixou um legado concreto para o mundo.

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