Quando tinha por volta dos 10 anos de idade, ganhei dos meus pais um jogo de video game em que se podia jogar uma partida de Ping Pong contra o computador usando uma raquete real. Você instalava um equipamento na TV que reconhecia os movimentos que eram feitos com a raquete e podia duelar contra um personagem que aparecia na tela. O jogo não era lá muito preciso, vários movimentos não eram reconhecidos e isso podia tornar a experiência um pouco frustrante. Mas o jogo parecia ser muito avançado para a sua época e foi o grande atrativo de uma viagem que fiz com os amigos para o Guarujá.

Depois desse jogo, vieram os consoles Nintendo Wii, que funcionava de forma semelhante porem muito melhor graças ao avanço da tecnologia, e o Xbox 360 com o seu Kinect, que era uma evolução do aparelho da Nintendo pois trazia um sensor que reconhecia os movimentos do corpo humano e não os movimentos do controle e sendo assim, abria infinitas possibilidades aos desenvolvedores de jogos.

Apesar de parecerem quebras de paradigmas no mundo dos games, o Nintendo Wii e o Kinect do Xbox eram apenas novas formas de se fazer o mesmo. Desde o tempo do Atari, na década de 70, a indústria do video game sempre se focou em tornar a experiência de interagir com o mundo digital o mais real possível. Mesmo jogos que tinham gráficos propositalmente cartunescos, buscavam uma usabilidade realista. Transferir a interação com a tela do controle para o nosso corpo aumenta a sensação de que somos parte do jogo. O objetivo é o mesmo, o que muda é que agora temos mais recursos tecnológicos para atingi-lo.

Pokémon Go, por outro lado, oferece uma abordagem diferente que é tendência não só nos games, mas na tecnologia em geral: Trazer o mundo digital para o real. E não o contrário.

Essa tendência já pôde ser observada em outras mídias. Dentre os mais conhecidos está o Google Glass, um óculos desenvolvido pela Google que possuía uma minúscula tela abaixo do campo de visão que era responsável por disponibilizar informações que julgasse importante sobre o entorno do usuário. A primeira versão de venda do Google Glass foi um fiasco. Ninguém, tirando os geeks, via bons motivos para comprar aquilo. No final, o hardware serviu mais para gerar um debate sobre o futuro da tecnologia e da privacidade do que como produto em si. E é isso que faz o Pokémon Go ser tão importante: Apesar de não ser o primeiro jogo a usar a lógica de trazer o mundo digital para o mundo real, é o primeiro que consegue ter um sucesso tão grande a ponto de se tornar um fenômeno global.

É claro que o jogo ainda tem muito o que evoluir para parecer real. Ele também pode ser prejudicial e até perigoso se utilizado com irresponsabilidade. Mas é fato que Pokemon Go é um marco na hístória do videogame e deve sinalizar para o futuro desse setor.

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