Não é difícil entender porque a esquerda quer tanto a desmilitarização da Polícia Militar. Uma vez isto feito, os policiais estariam autorizados a formarem sindicatos e bem, sabemos muito bem o que acontece quando um sindicato é formado. A incorporação em seu comando de ideólogos esquerdistas é basicamente questão de tempo. Foi assim em todos os sindicatos com alguma relevância no Brasil.

É bem verdade que no caso do Espírito Santo fica nítido que as condições de trabalho que estão sendo impostas aos policiais é algo a ser discutido. Foi a austeridade que causou isso? Me parece que não, fosse a austeridade ao menos a inflação teria sido corrigida do salário dos policiais nos últimos 4 anos. E venhamos e convenhamos, quem falava em crise em 2010? Não vivíamos o ápice do estado de bem-estar social dos governos petistas?

Este discurso não me convence. Além do mais, o governador capixaba de 1º de janeiro de 2011 à 1º de janeiro de 2015 pertencia ao Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O caos na PM do Espirito Santo tem mais cara de má gestão do que austeridade provocada pela crise econômica que foi herdada dos governos Lula e Dilma.

Agora o pessoal que grita a toda manifestação “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar” e que de forma bastante criativa os chamam de “capacho imperialista”, resolveu que está no lado da PM. Quão conveniente não? Os que os demonizaram durante toda a vida agora aparecem  magicamente como seus salvadores com a falácia da desmilitarização. Agora alguém consegue imaginar um sindicato daqueles que são responsáveis por manter a ordem pública dominado por pelegos de extrema-esquerda? E ainda mais, um sindicato de profissionais que possuem acesso a armas de fogo controlado por pessoas que pregam abertamente a luta armada como solução para os problemas do Brasil?



Não amigos e amigas, a esquerda não se tornou parceira dos policiais do dia pra noite propondo a desmilitarização deles para ajuda-los. Aparece como esta mão amiga agora para subjuga-los no futuro, tal como fizeram com os metalúrgicos e com os bancários.

Em uma resolução do Partido dos Trabalhadores o ano passado podia-se ler o seguinte: “Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista”. O texto a época desagradou em  muito o Alto Comando do Exército e dá uma noção do que existe por trás da ideia de desmilitarização das policias.

Este discurso nunca teve como objetivo dar mais direito aos policiais, é simplesmente conseguir entrar em suas fileiras. A esquerda hoje já domina as universidades, as redações dos jornais, os centros acadêmicos, os órgãos de representação profissionais, as escolas secundárias e o meio artístico brasileiro, falta só a PM para que consigam impor ainda mais suas agendas goela abaixo da população.

Que não caiamos na falácia daqueles que do dia pra noite resolveram apoiar os policiais militares brasileiros, aproveitando-se de sua atual fragilidade. Que não nos esqueçamos que até as eleições passadas a solução da segurança pública para essa gente, passava pela melhor iluminação das cidades e não por mais policiamento.

Sendo assim, que se coloque inúmeras lâmpadas fluorescentes sobre os reais objetivos da “nova” esquerda defensora das policiais.

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