Como quase sempre nos últimos anos, o debate público se dá por duas opiniões totalmente opostas, antagônicas e de certa forma um tanto quanto radicais. O politicamente correto vem sendo discutido acerca de diversos temas como feminismo, movimentos raciais, liberdade de expressão, violência e outros. O texto será baseado em dados relacionados ao contexto de gênero (homens e mulheres) abordando alguns temas como representatividade, violência e mercado de trabalho.

O primeiro ponto e talvez o mais acalorado seja o da diferença salarial entre homens e mulheres. No Brasil, por exemplo, na média, os homens ganham R$ 1.432,90 mensais, enquanto as mulheres têm rendimentos mensais na casa dos R$ 1.186,00, segundo estudo realizado pela Fundação de Economia e Estatística, com autoria de Guilherme Stein e Vanessa Sulzbach. Apesar de ser um fato que há uma diferença salarial entre gêneros, muitas vezes essa discrepância é exageradamente vista pelos movimentos feministas. Digo isso, pois, em inúmeras oportunidades os autores do estudo receberam críticas vorazes sobre suas conclusões, sendo chamados de machistas várias vezes. Entretanto, o objetivo de um estudo estatístico como esse é apenas achar variáveis que mostrem como se dá a diferença, tentando encontrar causalidades para as correlações que se mostram. Interpretar o porquê de esses números existirem e gerarem tal conseqüência, a diferença salarial, não cabe ao estudo que foi feito.

Um fator muitas vezes omitido quando o argumento da discrepância salarial apresentado é a diferença entre gêneros em cursos universitários distintos. Segundo pesquisa do MEC/Inep dos 10 cursos com o maior número de inscritos do gênero masculino, estão inclusos as engenharias civil, de produção, mecânica e elétrica, assim como ciência da computação e análise e desenvolvimento de sistemas. Já dentre o gênero feminino, observam-se cursos como pedagogia, enfermagem, serviço social, psicologia e fisioterapia. Em média, os cursos ocupados majoritariamente por homens tendem a ter remunerações consideravelmente maiores do que aqueles cursados primordialmente por mulheres.

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O artigo também mostra que embora mulheres tenham mais anos de estudo, elas interrompem a carreira com mais freqüência, possuem uma jornada de trabalho um pouco menor e como mostrado acima tendem a entrar em carreiras com remuneração mais baixa. Os economistas mostram que da diferença de 20% do salário entre homens e mulheres, 7% não podem ser explicados pelos fatores supracitados. Não deixa de ser uma diferença relevante, entretanto, muito menor do que as mostradas em sites e revistas.

Por fim, vale ressaltar que como disse no começo do artigo, o papel do pesquisador em economia é apenas achar as correlações e tratam causalidades que confirmem aquilo que foi determinado pelas regressões. Essa pesquisa só mostra uma coisa: o mercado de trabalho não é machista. Entretanto, nem por isso, o mercado de maneira passiva não reflete o machismo de nossa sociedade, fazendo as mulheres receberem menos.

O machismo de verdade está na nossa sociedade que desde quando somos crianças incentiva os meninos a brincarem com vídeo-games e tecnologias, enquanto as meninas ficam com bonecas e brincando de casinha. Será esse o real motivo? Sinceramente, não sei. Mas que provavelmente existe um motivo para mulheres e homens escolherem tais profissões, com certeza, existe.

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