A gestão de Fernando Haddad é incompatível com parte da população paulistana. Não combina com os quarentões que ralaram para comprar seu carro próprio, que não veem a bicicleta como meio de transporte e que entendem que o transporte público é só para o pobre e não para ele.

Fernando Haddad não representa o público que acredita no discurso da “meritocracia”, que acha que se dá bem aquele que rala, que é pobre quem quer. Ele agrada àqueles que querem quebrar esse paradigma trazido pelos pais da nova geração de eleitores.

O que há de mais comum nas casas dos jovens de 20 poucos anos é o embate entre pais e filhos que têm crenças completamente diferentes em relação à política. Haddad agrada os jovens paulistanos de classe média que, agora, podem andar de ônibus sem pagar e em horário expandido, que tem muito mais áreas de lazer, que sentem que estão ocupando a cidade.

Uma medida pouco falada do atual prefeito de São Paulo foi a nomeação de Djamila Ribeiro, ativista feminista e negra, como Secretária-Adjunta dos Direitos Humanos da cidade. O que o jovem quer hoje? Representatividade! O jovem quer uma cidade plural, quer que todos tenham os mesmos direitos, independente da renda mensal, do gênero, orientação sexual e da cor da pele. Todo jovem? Não, mas os eleitores de Haddad sim. Enquanto isso, outros candidatos dão passos para trás com dizeres de que TODA mulher é isso ou aquilo.

Foi a primeira gestão em que a nova geração de eleitores teve consciência da política e sentiu a cidade melhorar. Por isso eles querem mais, querem continuidade para uma gestão interminada. Não interminada porque Haddad espalhou obras pela cidade, como Alckmin fez com o Estado e Marta fez quando foi prefeita, mas deu o gosto de “quero mais”. Mais espaço, mais creche, mais gente ocupando a cidade, em vez de carros.



Claro que a gestão não foi perfeita. Faltou planejamento na hora de pensar nas ciclovias, poderiam ter mais ônibus na cidade, a periferia precisa de MUITO mais atenção, de mais segurança, de áreas de lazer, de mais creches e mais hospitais. Pecou também em não renovar contratos com empresas de segurança dos parques, por exemplo. Mas, obviamente, Haddad não conseguiria, em hipótese alguma, erradicar os problemas de São Paulo em 4 anos. Quem sabe em 8 o caminho poderia continuar a ser trilhado.

Mesmo longe da meta, o prefeito construiu muitas creches e abriu hospitais na periferia, além de ter implementado cursos superiores dos CEUs. Além de ter melhorado a frota de ônibus, em relação a qualidade, diminuído o número de mortes no trânsito e viabilizado a bicicleta como meio de transporte. Isso interessa ao jovem: uma cidade diferente, inclusiva e que não gira em torno dos carros sempre apressados.

É difícil entender os argumentos que são usados para não votar em Haddad:

-Ele é do PT: como se não houvesse tanta corrupção quanto em outros partidos.
-Fez a “indústria da multa”: isso diminui muito as mortes no trânsito, esse era o objetivo principal e foi realizado. Achar que o mundo gira em torno de você e do seu carro é demais. Pode ser melhorado? Pode, mas tirar ele do cargo para colocar um candidato que quer voltar com as altas velocidades é, no mínimo, estúpido.
-Fez as ciclovias que mal são usadas: honestamente, já prestou atenção na ponte estaiada da Marginal Tietê? Não se vê carros lá e a obra custou R$ 1,5 bilhão.
-Os corredores de ônibus estão vazios: se você fosse um usuário do transporte público ia adorar que as faixas exclusivas estivessem vazias.

Haddad nunca foi citado em um esquema de corrupção. Melhorou a cidade para a classe média e alta, que adora dar uma caminhada na Paulista, no Minhocão e na Sumaré aos domingos, mas na hora de falar do prefeito, só lembram daquela multa que levaram por estarem acima da velocidade (mesmo sabendo qual era o permitido na via).

Nos últimos quatro anos a cidade mudou para melhor. Não vê quem não quer, ou quem só consegue ver sua própria bolha, não São Paulo de modo geral. Para os jovens eleitores de Haddad vale a pena comprar a briga na mesa de jantar com os pais conservadores, porque queremos sim mais quatro anos de mudanças na cidade retrógrada e egoísta na qual vivemos.

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