Vamos direto ao ponto: quem, realmente, acreditou no discurso “primeiro tiramos Dilma e, depois, o resto?”. São dois os caminhos para que você tenha acreditado ou ainda acha que esta tese é correta: ou você tem/teve uma sede muito grande de tirar Dilma/PT do poder, seja lá qual for/foi o seu motivo; ou você não tem malícia o suficiente para entender o golpe que o mundo inteiro está denunciando.

Os áudios gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro e suspeito de estar envolvido em casos de corrupção na Petrobras, com o então ministro de Planejamento do governo interino de Michel Temer, Romero Jucá; com o presidente do Senado, Renan Calheiros; e com o ex-senador e ex-presidente da República José Sarney; todos do PMDB, deixam claro que, se você acreditou em tudo isso, errou.

E além de ter errado, o que vai ficar marcado na história, penalizou alguém que estava tentando combater a corrupção. Ou seja, o golpe não foi contra o governo Dilma. Foi contra a democracia e o combate à corrupção. E dos dois lados. Até porque, mesmo com o governo Dilma (PT) no poder, os mais afetados – lê-se condenados e presos – são políticos do mesmo partido da presidente democraticamente eleita. Será que, agora, os aliados de Temer terão o mesmo caminho?

Vamos aos fatos. No primeiro áudio, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, Romero Jucá, do Planejamento, parecia já planejar, há muito tempo, um “pacto” para deter o avanço da Operação Lava Jato, da PF (Polícia Federal), que tem à frente o salvador da pátria, o juiz Sérgio Moro. Vamos relembrar:

“Sérgio Machado: É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

Romero Jucá: Com o Supremo, com tudo.

Machado: Com tudo, aí parava tudo.

Jucá: É. Delimitava onde está, pronto.

Machado: Parava tudo. Ou faz isso… Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?

Jucá: Não vi, não. O Moro?

Machado: É aquilo que você diz. O Aécio não ganha porra nenhuma.

Jucá: Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.

Machado: O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição. A gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…

Jucá: É, a gente viveu tudo.”

Se isso não te convenceu ainda, vamos relembrar, então, o áudio vazado da conversar com Renan Calheiros, em que ele defende mudar a lei da delação premiada, para tentar proteger políticos investigados que ainda não foram presos. “Aécio está com medo. [me procurou] ‘Renan, queria que você visse pra mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa”. Medo de quê, presidente nacional do PSDB? Seu partido, mesmo perdendo, como oposição, nas urnas, tem três ministros nomeados no governo interino.

Já Sarney, deu dicas, conselhos, com muito carinho, para que o caso de Machado não chegue até as mãos de Sérgio Moro. “Nós temos é que conseguir isso”, disse. “Sem meter advogado no meio!”, complementou. Machado concordou. Disse que “advogado não pode participar disso de jeito nenhum” e que “advogado é perigoso”.

Com a extinção da CGU (Controladoria Geral da União) e com esses áudios, você ainda acredita no combate à corrupção no governo interino de Michel Temer? Se sim, lamento. Você está enganado. Primeiro, tiramos Dilma. Depois, a responsabilidade.

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