Scandal estreava na ABC em abril de 2012. Confesso que só me apaixonei por Olivia Pope (Kerry Washington) após conhecê-la este ano e devorar as cinco temporadas em alguns meses. Foi assim meu segundo mergulho no mundo da escritora Shonda Rhimes, que produz a série How To Get Away With Murder. Annalise Keating não deve estar contente, mas tornei-me um gladiador da Liv (como o núcleo duro de assistentes chama a nossa protagonista). Meu coração agora é dela.

A série gira em torno de uma agência de gerenciamento de crises em Washington, liderada por Pope. Os “Gladiadores” limpam a barra de basicamente qualquer poderoso que os procure, inclusive as figuras do mais alto escalão da Casa Branca. No nosso mundo, porém, o presidente não é Obama. Não é nem negro, nem democrata, mas branco e republicano.

A liga da trama é o envolvimento profundo de Olivia com o Presidente Fitzgerald Grant, cujos laços superam a sua campanha à presidência, onde Pope atuou como consultora. Sem mais detalhes, e me afastando de eventuais spoilers, digo que Scandal é deliciosamente imprevisível. Ao passo que você questiona as atrocidades cometidas para alcançar o poder, quando se trata de pessoas influentes tudo parece mais real, muito possível. Nunca sabemos o que esperar, porque em Washington cada um olha por si mesmo.

Também acho importante, na época em que vivemos, a desmistificação das minorias retratadas na série. Temos Olivia, uma mulher negra, solteira, com a maior inteligência e qualificação, independente, liberada. Uma Olivia Pope te constrangeria, te faria sentir ameaçado? Por outro lado temos Cyrus Beene, o chefe de gabinete dos EUA. Gay, branco, velho e republicano. Casado, com uma filha adotada. Poderíamos esperar um anjo de candura, mas trata-se do maior canalha, com o menor senso de escrúpulos no país inteiro. E é assim, entre outros exemplos, que Shonda se recusa a pôr as minorias numa caixinha pré-fabricada: nós não somos o que você espera, e nós não seremos o que você espera.

Por fim reflito sobre a atual situação brasileira e americana. Nós não parecemos nos identificar com a classe política, e temos rejeitado candidatos tradicionais, aqui e lá. Ainda assim, em Scandal, nós torcemos por eles, para bem ou para o mal. Sabemos dos podres deles, sabemos que sua vida pessoal não é nenhuma maravilha, mas conseguimos nos conectar com o político, que tem que tomar decisões em meio a qualquer furacão que apareça. Pelo menos na fantasia ainda conseguimos nos conectar.

Assim, estarei esperando pelo resultado das eleições. Não no mundo real, onde Trump levou (seria uma vitória de Hollis Doyle, um fiel retrato do magnata), mas no mundo de Olivia. Que vença o melhor, ou quem tiver as melhores artimanhas. Neste quesito, Scandal tem o meu voto.

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