A situação no Espírito Santo assustou todos os brasileiros na última semana. Até este domingo, 147 pessoas foram mortas e o comércio sofreu uma perda de mais de R$ 100 milhões. Não tem como não temer, não tem como não achar que há algo muito errado no País – não só na questão do policiamento, mas da ética e moral de toda a população.

Quando os estabelecimentos comerciais ficaram em situação vulnerável, parte da população considerada “normal”, isto é, que não são bandidos e criminosos, participaram do saqueamento das lojas. Até mesmo uma mulher que foi candidata a vereadora no estado em 2016 foi vista tentando roubar (http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2017/02/candidata-e-fotografada-saqueando-loja-no-es-e-se-apresenta-policia.html). A pergunta que fica é: se não há policiamento, as leis continuam valendo ou todos somos bandidos, já que não haverá consequências?

Claro que não se compara, mas nos leva a pensar em pequenas infrações e ações erradas do dia a dia que nos permitimos fazer só porque ninguém está olhando. Jogar um papel no chão deixa de ser errado só porque não há alguém ali para te repreender e dizer que isso é prejudicial ao mundo? Só porque ninguém está com você dentro do boxe do banheiro é ok fazer xixi na tampa e deixar lá, sem se importar com o próximo que entrar?

A polícia não estava nas ruas, consequentemente, a justiça não seria feita pelo estado, só, talvez, pelos famosos “justiceiros”. Como isso torna aceitável entrar em uma loja e levar algo que não é seu, sabendo que seu roubo afetará o dono daquela loja? Acho que sempre existirá a discussão de quem é a pessoa que rouba, se é alguém que necessita, que não tem o que comer, mas não é o caso.

Foram R$ 100 milhões em roubos. Foram dezenas de pessoas dispostas a saquear, mesmo que eles não se vejam como bandidos. O caso da candidata a vereadora é apenas um exemplo de como uma “pessoa normal” pode mudar quando “não tem ninguém olhando”.

Muitas vezes, isso é refletido na internet. Por trás de uma tela, de perfis falsos, as pessoas se sentem à vontade para odiar, para fazer comentários racistas, homofóbicos e xenofóbicos. Tudo isso porque sabem que não sofrerão as consequências. Dizem que nosso verdadeiro “eu” é revelado quando estamos entre quatro paredes, ou seja, quando ninguém vê.

Essa é uma das (várias) questões que a situação calamitosa do Espírito Santo trás: quem somos nós no momento da barbárie? A justiça só funciona se houver punição?

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