Tem circulado na internet que a terceirização tem objetivos sociais. Segundo alguns de seus apoiadores, os quase 15 milhões de trabalhadores terceirizados seriam beneficiados, tendo maior visibilidade. Assim, seria mais fácil monitorar possíveis abusos dos patrões. Porém, a grande questão é: ao invés de beneficiar os trabalhadores que já se encontram nessa situação, será que os outros tantos funcionários que tem estabilidade em seus empregos, salários relativamente justos e direitos garantidos, não acabarão por aumentar esse número de 15 milhões?

A terceirização serve para cortar gastos das empresas, fazendo com que as companhias se tornem mais competitivas no mercado e levem maiores lucros para seus acionistas e empresários. Sabendo disso, fica difícil acreditar na motivação “social” da aprovação na Câmara dos Deputados do PL 4302/98. Ainda mais como foi feita a votação, fruto de uma manobra para o texto não precisar passar pelo Senado, já que a maioria dos senadores são contrários ao PL.



Se levarmos em conta as ações, no mínimo dúbias, que marcam a história do empresariado brasileiro para barrar o ganho de direitos da classe trabalhadora, a certeza de que não há motivação social por parte dos defensores da terceirização irrestrita, só aumenta. Em 64 o golpe apoiado pelo patronato nacional que derrubou João Goulart da presidência, se deu, não por acaso, em um momento em que estavam nos planos do governo pautas como a reforma agrária, reforma educacional e urbana. Alegando que o país vivia uma ameaça de ditadura comunista, os grandes patrões apoiaram o golpe que deixou o país em uma ditadura por 21 anos e que matou milhares de pessoas, além de causar grandes danos em nossa economia. Mais recente, podemos tomar o impeachment da presidente Dilma Rousseff como exemplo. Apenas um partido que tornou o ensino superior mais democrático e que diminuiu a pobreza em números significativos, poderia irritá-los tanto.

Um estudo do Ipea aponta que trabalhadores terceirizados contribuem com o déficit previdenciário, pois a rotatividade em seus cargos é maior e os salários são menores. Vale ressaltar que as mesmas pessoas que apoiam o PL 4302/98, são as que dizem se preocupadas com o rombo na previdência.

A aprovação da terceirização irrestrita beneficia apenas os grandes patrões e empresários. Resta saber, você é empresário ou patrão?

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