Em uma cena quase quebrando a quarta parede, a protagonista alerta a quem vai ouvir sua história: parece uma narrativa completamente absurda, mas, se você ao menos der uma chance, vai valer a pena. Este é o momento “pílula azul ou pílula vermelha” da série. É o mudar de programa ou, como os personagens, aceitar ouvir essa história sem saber o seu propósito. Porque a série não entrega nada.

Até então, uma menina pulou de uma ponte, seus pais a reencontraram depois de muitos anos, e misteriosamente, ela, que era cega, agora enxerga. Agindo de forma paranóica e se auto-denominando  OA, ela reúne um grupo de garotos e uma professora para realizar uma missão. E para entender qual o objetivo desse mistério, eles devem ouvir sua biografia.

Na viagem pelo passado da OA estão presentes a aristocracia russa, sonhos premonitórios, tráfico de pessoas, uma outra dimensão (lindamente filmada numa sala de espelhos), a casa de vidro do Big Brother Brasil e um Tai Chi Chuan hardcore. É mágico e sobrenatural, é pseudocientífico e atual. É um turbilhão emocional com fotografia esplêndida, reviravoltas mil, música tocante e um texto, mesmo que por vezes apelando para frases de efeito capengas, costurado para manter o espectador sempre voltando.

Porém, é preciso suspender a descrença para valer. É como voltar a um estado infantil, em que não se questiona a sequência dos acontecimentos, em que se ignora os buracos e quando alguém pergunta por que foi do jeito que foi, se responde “porque sim!”.

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