Se fosse para levar em conta apenas o quesito entretenimento, Thirteen Reasons Why poderia ser consagrada como uma das melhores séries de 2017, já que apesar de falhas claras no roteiro, a nova produção da Netflix faz muito bem o que se espera de uma boa série: envolve o telespectador e é viciante do começo ao fim.

No entanto, Thirteen Reasons Why tem uma proposta que não se limita ao entretenimento, tendo como objetivo, também, educar adolescentes sobre os malefícios do bullying e como lidar com a depressão. E foi nesse ponto que a série causou grande controvérsia e atraiu críticas de parte da mídia especializada e de alguns psicólogos e psiquiatras. Segundo eles, Thirteen Reasons Why trata o suicídio de forma irresponsável.

A mais nova produção da Netflix foi baseada no livro homônimo de Jay Asher e conta a história de Hannah Baker, uma estudante de um High School de uma pequena cidade americana que, antes de se suicidar, resolve gravar treze fitas cassete apontando as treze pessoas responsáveis por arruinar a sua vida.

A partir dessa prerrogativa, se forma uma história envolvente, uma espécie de conto policial às avessas onde todos parecem saber o que está acontecendo menos Clay Jensen, o protagonista, e o telespectador.



Como já foi apontado por diversos críticos, a série realmente não precisava ter 13 episódios e algumas vezes parece um pouco arrastada. No entanto, ela nunca deixa de envolver o telespectador. Isso se dá, em grande parte, pela forma como o roteiro trabalha a expectativa da sua audiência, nos deixando sempre apreensivos sobre o que de fato motivou o suicídio de Hannah. Mas a série é mais do que isso: os seus personagens são complexos e fogem dos esteriótipos dos alunos de High School. Nas fitas, escutamos relatos sobre os 13 culpados que muitas vezes são refutados pelos mesmos, o que nos faz cogitar se podemos realmente confiar em Hannah (e mostra que por trás de cada situação, existem diferentes verdades). A série é cheia de buracos que não são preenchidos e que ajudam a construir esse ar de suspense.

Os críticos da série condenaram a maneira como a depressão e o suicídio foram retratados. Segundo eles, a depressão foi mostrada de forma imprecisa e o suicídio como uma forma edificante de buscar vingança contra aqueles que causaram a dor. Segundo dados do Centro de Valorização da Vida, a procura por ajuda aumentou depois que Thirteen Reasons Why foi lançada, mas é possível que a série tenha levado pessoas que nunca cogitaram o suicídio a pensar no assunto.

Sinceramente, me sinto despreparado para julgar essa questão já que não sou um especialista na área e nunca tive depressão. No entanto, gostaria de propor duas perguntas: 1) Será que, ao mesmo tempo que pode estar incentivando adolescentes a pensarem no suicídio, Thirteen Reasons Why não está fazendo, também, com que outros jovens repensem a forma como tratam os seus colegas? 2) Será que não deveríamos tratar a depressão como uma outra doença qualquer (como propõe os psicólogos e psiquiatras) e tentar normalizar o tema para que mais pessoas se sintam à vontade para falar sobre isso? Lembrando que em Países como o Japão, onde o tema é um grande tabu, as taxas de suicídio são altíssimas.

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