”Let’s make America great again”. O slogan apelativo de Trump explicita mais do que uma mera estratégia de campanha. Ele indica o cerne de uma nova forma de exercício do poder de mando que vemos surgir mundo afora: gestores de empresas supostamente competentes exercendo cargos públicos dos mais importantes – dando uma resposta, via mercado, à chamada crise da representação política.

Onde antes tínhamos ”grandes estadistas” hoje vemos a proliferação de gestores,

Trump se elegeu como sendo supostamente um bom gestor, embora outros bilionários norteamericanos de peso como Michael Bloomberg, Bill Gates e Warren Buffett tenham criticado-o durante as eleições pela falência de diversos negócios e pela vida fácil de Trump, devido ao milionário pontapé inicial que o seu pai lhe dera para começar os negócios. Em momentos em que o discurso tecnopolítico embasado na economia torna-se a única medida para se analisar a vida (da saúde e educação à cultura) e chave para a resolução de todos os problemas, a eleição de nomes como Trump, Macri e Dória não surpreendem. São o reflexo de um sucesso real da cosmovisão do mercado.

Propostas repetidas inúmeras vezes como ”Acelera São Paulo”, ou ”Let’s make America great again”, poderiam então ser classificadas como um novo tipo de populismo, o empresarial: não se discute como, nem de que modo tais resultados seriam obtidos. Ideias estapafúrdias, executáveis apenas com um alto custo político (como a expulsão dos imigrantes ilegais dos EUA – dos quais a economia norteamericana depende – e construção de um muro na fronteira com o México, pago por este), são apresentadas como soluções midiáticas. Criam, do modo mais grosseiro possível, respostas rápidas a questões políticas controversas.



A pergunta central hoje é: o que muda com Trump na presidência? Ainda é cedo para dizer, e análises de futurologia sempre tendem a se verem frustradas pelo caminhar dos acontecimentos. Entretanto é certeiro que como gestor Trump terá seu enfoque voltado para inovação e competitividade internacional, em uma mistura bizarra de nacionalismo produtivo com acordos bilaterais chaves. Essa tendência poderá inclusive encontrar forte resistência em determinados meios empresariais que levaram as fábricas norteamericanas para países de terceiro mundo em busca de maiores lucros.

No que diz respeito a possibilidade de implementação das medidas controversas, deve-se levar em consideração a estabilidade das instituições norte-americanas – o que não exatamente é algo positivo, obviamente. Pensemos em Obama. Eleito e reeleito em nome da mudança, teve como marco diferencial o sistema de saúde conhecido como Obama Care, mas não conseguiu realizar uma política externa radicalmente menos beligerante, como havia prometido: aumentou o número de espionagens industriais e de indivíduos em seu governo (vide caso Wikileaks), e apenas mudou a dinâmica da influência dos EUA no Oriente Médio.

Podemos esperar uma postura grotesca, que ressona naquilo que consideramos mais repugnante na política e no comportamento pessoal violento de muitos – muitos inclusive que vibram com suas idéias. Debates árduos e intensas brigas internas – inclusive no próprio setor empresarial que passa a reger o país. O quão catastrófico será o resultado desse jogo de forças, só o tempo dirá.

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