O cenário improvável consolidou-se como realidade. Contrariando todas as expectativas midiáticas, econômicas e políticas, Donald Trump venceu as eleições presidenciais americanas contra Hillary Clinton.

Recentemente, escrevi um artigo (clique aqui para ler) constatando as maiores chances de Hillary Clinton ganhar a disputa e ser a próxima Presidente dos Estados Unidos. Mas o modelo estava errado. O mundo mudou.

De acordo com uma pesquisa de Chun-Fang Chiang e Brian Knight de 2011, o candidato que contasse com o apoio da grande mídia com maior credibilidade e mais imparcial teria chances muito maiores de ser eleito. Além disso, um candidato democrata que tivesse apoio de veículos midiáticos que tradicionalmente apoiam republicanos teria ainda mais força e a influência midiática seria ainda maior sobre o fator decisório do eleitor.

Hillary Clinton tinha tudo para ganhar nesse cenário. Praticamente todos os veículos midiáticos apoiavam a democrata. Não apenas jornais tradicionalmente democratas, bem como jornais que haviam apoiado republicanos nas últimas eleições e jornais que não costumam assumir posicionamentos enviesados, como The Economist e USA Today. Mas Hillary perdeu.

As bases empíricas e os dados históricos não conseguiram explicar Donald Trump. Tudo levava a crer que o republicano não conseguiria a presidência dos Estados Unidos. Mas a realidade deu um tapa na cara de todos os comentaristas políticos e analistas eleitorais. O mundo mudou.

A pesquisa que validou a hipótese de Hillary eleger-se presidente baseava-se no pressuposto de que a mídia influenciaria a opinião dos eleitores americanos. Mas a relação entre o público e a mídia mudou. Parece que os grandes veículos midiáticos não têm mais o mesmo poder de influência que tinham no passado. As redes sociais, querendo ou não, acabaram atendendo à demanda de muitas pessoas descrentes com o status quo e o establishment.

Além disso, vale notar que Hillary Clinton é a personificação do establishment. Está na política há décadas, é ex-senadora, ex-secretária de Estado, ex-primeira-dama. Hillary sempre esteve com a política tradicional e acabou se envolvendo em escândalos, como o uso de seu e-mail privado para assunto de segurança nacional. E Donald Trump, por outro lado, é um outsider, empresário que, até então, nunca ocupara cargos políticos. E o povo parece ter cansado de políticos tradicionais.

Trump surpreendeu e o mundo mudou. Nada será como antes.

 

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